Revolta no atendimento da Sabesp
Dois carros da PM foram enviados ao local para conter a confusão provocada por moradores insatisfeitos com o serviço. O episódio foi relatado pelo pesquisador Adhemar Alves em publicação nas redes sociais.
Segundo ele, antes da privatização o atendimento presencial funcionava das 8h às 17h30, com resolução direta das demandas e contato por telefone fixo local. Hoje, conforme descreve, o atendimento se concentra na central telefônica 0800, e o acesso presencial tornou-se restrito, o que teria aumentado as filas e a insatisfação.
Cobranças e dúvidas sobre a água
Nos comentários da postagem, moradores relataram situações concretas. Diego Silva afirmou ter chamado a polícia após receber uma cobrança de R$ 1.300, referente a um consumo que, segundo ele, corresponderia a 200 mil litros de água.
Conversamos, falamos que não temos pesqueiro e nem piscina para gastar esse tanto.
Maria José também questionou a qualidade da água distribuída, dizendo que o filtro precisa ser limpo semanalmente por causa do acúmulo de uma “lama verde”.
As manifestações apontam para três eixos centrais de insatisfação: dificuldade de atendimento presencial, cobranças consideradas excessivas e dúvidas quanto à qualidade da água.
Fiscalização e responsabilidade pública
A Sabesp passou por processo de privatização, mas continua sujeita à regulação da ARSESP, agência responsável por fiscalizar contratos, qualidade do serviço, metas e padrões de atendimento. O contrato de concessão também estabelece obrigações específicas sobre prestação do serviço, canais de atendimento e transparência tarifária.
Eventuais abusos ou descumprimentos podem ser questionados formalmente, tanto na esfera administrativa quanto judicial. Segundo o relato publicado por Adhemar, funcionários teriam afirmado que o prefeito é a autoridade local com legitimidade para provocar a agência reguladora e exigir adequações no atendimento.
A Câmara Municipal também possui instrumentos de fiscalização: pode convocar representantes da empresa, instaurar comissões, encaminhar representações à ARSESP e ao Ministério Público e, se necessário, judicializar a questão.
Pressão política ou omissão?
Diante do cenário, cresce a pergunta que circula entre moradores: se há instrumentos legais para cobrar melhorias, por que eles não estão sendo utilizados com vigor?
Caso o prefeito Murilo Rinaldo e a Câmara Municipal optem por não pressionar formalmente a concessionária, não se trata de impossibilidade jurídica, mas de decisão política.
O encerramento ou esvaziamento do atendimento presencial e a substituição do telefone local por uma central 0800 podem ser questionados sob a ótica da acessibilidade ao serviço público essencial. Água e esgoto são serviços de natureza pública, mesmo quando concedidos à iniciativa privada.
O episódio da Polícia Militar na porta da Sabesp é sintomático: quando a mediação institucional falha ou não ocorre, o conflito migra para o balcão de atendimento e, em casos extremos, para a rua. A privatização alterou a gestão da companhia, mas não eliminou a responsabilidade do poder público local de fiscalizar, cobrar e defender os interesses da população.
Se essa cobrança não acontece, não é por falta de instrumentos. É por opção.
Fonte: Da redação.
