Salários de secretários variam 122% entre cinco cidades da região

Os salários pagos aos secretários municipais de Sumaré, Hortolândia, Nova Odessa, Paulínia e Monte Mor revelam uma diferença expressiva na remuneração do primeiro escalão das prefeituras da região. Levantamento realizado a partir dos Portais da Transparência dos próprios municípios mostra valores que vão de R$ 11.413,05 em Sumaré a R$ 25.334,02 em Hortolândia.
Na prática, o secretário municipal mais bem remunerado entre as cinco cidades recebe R$ 13.920,97 a mais por mês que aquele situado na outra ponta da comparação. Isso significa que o salário pago em Hortolândia é aproximadamente 122% superior ao de Sumaré, ou mais que o dobro.
Hortolândia ocupa a primeira posição, com subsídio de R$ 25.334,02 mensais. Na sequência aparece Paulínia, onde o valor chega a R$ 22.494,55. Nova Odessa paga R$ 14.960,55, enquanto Monte Mor aparece logo abaixo, com R$ 14.100. Sumaré possui o menor valor do grupo, com R$ 11.413,05.
A diferença fica ainda mais evidente quando considerada uma projeção de 12 meses. Sem incluir outras eventuais despesas relacionadas à estrutura administrativa, um secretário recebendo o valor mensal de Hortolândia representa R$ 304.008,24 ao ano. Em Sumaré, a mesma conta resulta em R$ 136.956,60. A diferença anual entre os dois cargos chega a R$ 167.051,64 por secretário.
Os números não permitem, sozinhos, concluir qual município remunera melhor ou pior seus gestores. A definição dos salários do primeiro escalão envolve uma discussão mais ampla sobre capacidade financeira, responsabilidade fiscal e a necessidade de atrair profissionais qualificados para funções que possuem grande responsabilidade administrativa.
Um secretário municipal não ocupa apenas uma posição política. Dependendo da pasta, é responsável por administrar centenas de servidores e orçamentos que podem alcançar centenas de milhões de reais. Saúde, Educação, Finanças, Obras e Administração, por exemplo, exigem conhecimento técnico, capacidade de gestão e responsabilidade sobre decisões que afetam diretamente milhares de pessoas.
Por esse ponto de vista, remunerações muito abaixo do mercado podem dificultar a atração de profissionais altamente especializados. Um gestor experiente nas áreas jurídica, financeira, médica, de engenharia ou administração pode encontrar remunerações significativamente superiores na iniciativa privada, reduzindo o número de profissionais dispostos a assumir uma secretaria municipal.
O problema oposto também existe. Quanto maior o salário dos secretários, maior o custo permanente da estrutura política e administrativa do município. E essa diferença se multiplica quando considerada a quantidade de pastas existentes em cada prefeitura. Um aumento de alguns milhares de reais pode parecer pequeno isoladamente, mas passa a representar centenas de milhares ou mesmo milhões de reais ao longo de um mandato quando aplicado a todo o primeiro escalão.
Por isso, comparar apenas os valores nominais pode produzir conclusões equivocadas. Municípios possuem estruturas administrativas distintas: algumas prefeituras concentram atribuições em uma única secretaria, enquanto outras dividem áreas semelhantes entre várias pastas, além de existirem diferenças no número de secretários-adjuntos e outros cargos do primeiro escalão.
Não existe uma fórmula simples para determinar quanto um secretário deveria receber. Pagar pouco pode representar economia, mas também tornar o serviço público menos competitivo para profissionais altamente qualificados. Pagar muito pode ajudar a atrair gestores experientes, mas exige que a remuneração seja acompanhada por resultados e amplia o custo suportado pelo contribuinte.
A questão central, portanto, não deveria se resumir a saber qual cidade paga mais. Para a população, tão importante quanto conhecer o salário é poder avaliar o que cada administração recebe em troca dele. Uma remuneração elevada pode ser justificável diante de gestão eficiente, resultados concretos e responsabilidade sobre grandes estruturas. Da mesma maneira, economizar no primeiro escalão perde importância se a cidade não consegue reunir profissionais preparados para administrar áreas essenciais.
Os Portais da Transparência permitem enxergar quanto cada município decidiu valorizar financeiramente seus principais gestores. A diferença superior a 120% entre cidades da mesma região mostra que não existe consenso nem mesmo entre municípios vizinhos sobre quanto custa, ou quanto vale, um secretário municipal.
Da Redação
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