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Audiência em Monte Mor debate violência contra servidores e proteção no serviço público

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Audiência em Monte Mor debate violência contra servidores e proteção no serviço público

Casos de agressão física, ameaças, assédio moral e violência psicológica contra servidores municipais acenderam um alerta em Monte Mor. Dados apresentados pelo Sindicato dos Servidores Públicos de Monte Mor (Sindsmor) e depoimentos de profissionais durante audiência pública na Câmara mostram uma realidade preocupante: trabalhar atendendo a população não pode significar colocar a própria integridade física e emocional em risco.

O problema foi debatido na terça-feira (11), durante audiência pública da Comissão de Meio Ambiente, Educação, Cultura e Outros Assuntos (CMA), que discutiu a campanha “Saúde sim, Violência Não”.

Durante o encontro, Adelício Paranhos, representante do Sindsmor, afirmou que houve um “aumento alarmante e inegável” dos casos de violência no ambiente de trabalho nos últimos dois anos. Segundo os números apresentados pelo sindicalista, 98% das vítimas seriam mulheres, com a Educação liderando as ocorrências, seguida pela Saúde.

Entre os casos apresentados está o da enfermeira Simone Barbosa, servidora da Unidade de Saúde da Família (USF) Higor, no Centro. Ela relatou que, no dia 5 de maio, sofreu agressões verbais e ameaça de morte de uma paciente que procurava atendimento pediátrico para o filho. A situação teria evoluído para violência física, e Simone afirmou ter sido enforcada e jogada no chão.

A Guarda Civil Municipal foi acionada e um boletim de ocorrência foi registrado. Atualmente afastada, a profissional relatou o impacto emocional provocado pela agressão. “Eu gostaria de me sentir segura para trabalhar”, afirmou.

O episódio evidencia um problema que não pode ser tratado como consequência normal do atendimento ao público. Pacientes e familiares podem estar insatisfeitos ou fragilizados, especialmente em áreas como Saúde e Educação, mas nenhuma situação justifica ameaças ou agressões contra os trabalhadores.

O servidor que está na linha de frente também não pode ser responsabilizado individualmente por todas as deficiências do poder público. Quem atende em uma unidade de saúde, escola ou repartição não necessariamente decidiu o orçamento, o número de profissionais disponíveis ou a estrutura oferecida pela administração.

As informações apresentadas pelo Sindsmor ampliaram a discussão. Segundo Paranhos, a entidade acompanha cinco denúncias de agressão física contra profissionais da enfermagem e cerca de 30 denúncias de violência psicológica e assédio moral que teriam sido praticados por integrantes da própria administração municipal.

Também foram mencionados dois casos considerados complexos na Educação, envolvendo, segundo o sindicato, mais de 35 vítimas de violência psicológica. Paranhos afirmou que, nesses episódios, o prefeito realizou reuniões e encaminhou providências para interromper a situação relatada.

As denúncias precisam ser individualmente apuradas, garantindo também o direito de manifestação dos envolvidos. Entretanto, a quantidade de casos relatados exige atenção.

Se a violência praticada por usuários exige protocolos de segurança e resposta rápida, denúncias envolvendo relações hierárquicas dentro da própria administração precisam encontrar mecanismos igualmente eficientes. Isso significa oferecer canais seguros de denúncia, investigação e proteção contra eventuais retaliações.

A segurança do serviço público não pode se limitar à proteção de prédios, equipamentos e patrimônio. Antes de qualquer estrutura física, é preciso proteger as pessoas que fazem o serviço funcionar.

Uma unidade de saúde não oferece condições adequadas quando enfermeiros, médicos, recepcionistas e demais funcionários trabalham sob ameaça. Da mesma forma, professores e outros profissionais da Educação não deveriam exercer suas atividades com medo.

Durante a audiência, a representante da OAB Capivari, Maria Inêz Ferreira, resumiu a relação: “Proteger o profissional de Saúde também é proteger o paciente”.

Representantes da administração municipal reconheceram a necessidade de enfrentar o problema. A procuradora Letícia Pagotto afirmou que o tema vem sendo discutido na Secretaria de Saúde e no Conselho Municipal de Saúde. Segundo ela, cinco casos de violência foram relatados no último semestre e o município busca soluções práticas.

O comandante da GCM, Denival Santana, também reafirmou o compromisso da corporação com a proteção dos profissionais e dos equipamentos públicos.

O reconhecimento é importante, mas os casos apresentados demonstram a necessidade de transformar a discussão em medidas permanentes. Protocolos para situações de ameaça, acionamento rápido da Guarda Municipal, identificação das unidades mais vulneráveis, treinamento das equipes e acompanhamento das vítimas são algumas das medidas que podem fazer parte dessa resposta.

O acolhimento posterior também é fundamental. Um profissional vítima de violência não deveria simplesmente retornar ao mesmo ambiente sem acompanhamento e sem que as condições que possibilitaram a agressão sejam avaliadas.

Os números apresentados pelo Sindsmor e os depoimentos das próprias vítimas mostram que Monte Mor precisa tratar a segurança dos servidores como questão de gestão pública e de proteção ao trabalhador. Campanhas de conscientização são importantes, mas precisam ser acompanhadas por prevenção, acolhimento, investigação e responsabilização.

Quem procura o serviço público merece respeito e segurança. Quem está atrás do balcão, dentro da sala de aula ou atendendo em uma unidade de saúde também.

Da Redação

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