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Sumaré precisa reencontrar uma voz para o meio ambiente

Elaine AmaralElaine Amaral4 min de leitura

Houve um tempo em que a defesa do meio ambiente tinha uma voz política bastante identificável em Sumaré. Durante a gestão do ex-prefeito José Antonio Bacchim, seu vice, Vilson Alves, então ligado ao Partido Verde, tornou-se uma das figuras mais associadas à pauta ambiental no município. Concordando ou não com sua atuação política, havia alguém ocupando esse espaço, levantando discussões e colocando o tema na agenda pública.

Isso não significa que Sumaré tenha ficado sem pessoas preocupadas com a natureza. Existem moradores, grupos, profissionais e ativistas que realizam trabalhos importantes, muitas vezes dentro dos próprios bairros. O que parece ter desaparecido é uma liderança com expressão municipal suficiente para transformar problemas ambientais em assuntos permanentes do debate político.

Durante anos vimos áreas públicas tomadas por descarte irregular, lixo acumulado, situações preocupantes nas subprefeituras e espaços que deveriam receber atenção ambiental enfrentando degradação. Também convivemos com córregos, áreas verdes e espaços de preservação pressionados pelo crescimento de uma cidade que se tornou cada vez mais urbana.

Quando uma cidade cresce sem colocar a preservação no centro do planejamento, os problemas aparecem de diversas maneiras: impermeabilização do solo, enchentes, redução da arborização, descarte irregular, poluição dos cursos d'água, ocupação inadequada e perda de biodiversidade. Meio ambiente não é uma pauta distante da vida cotidiana. Está relacionado diretamente à qualidade de vida de quem mora na cidade.

Talvez parte desse espaço político tenha sido ocupado nos últimos anos pela causa animal. E não existe problema algum no crescimento dessa pauta. Pelo contrário. A proteção animal avançou muito no debate público e precisava avançar. Animais abandonados precisam de políticas de castração, atendimento veterinário, fiscalização contra maus-tratos e programas responsáveis de adoção. É uma causa legítima e necessária. O erro seria imaginar que proteção animal e proteção ambiental são a mesma coisa ou que uma pode substituir a outra.

Quando uma mata é degradada, quando um córrego é contaminado ou quando uma área verde desaparece, existe uma enorme população animal que também sofre, e que frequentemente sequer aparece no debate público. São aves, mamíferos, répteis, anfíbios, peixes, insetos e inúmeras outras espécies que dependem desses ambientes para sobreviver.

Precisamos das duas coisas. Precisamos cuidar do cachorro abandonado na rua e da fauna silvestre. Precisamos discutir castração e arborização. Precisamos combater maus-tratos e proteger nascentes. Precisamos cobrar atendimento veterinário público, mas também fiscalizar áreas de preservação.

O que me preocupa é perceber que, enquanto a proteção animal conquistou representantes cada vez mais identificados com sua defesa, a pauta ambiental parece ter perdido espaço no debate político de Sumaré.

Quem é hoje a grande referência ambiental da cidade? Quem acompanha sistematicamente nossas áreas de preservação? Quem transforma arborização, recursos hídricos, resíduos sólidos, saneamento, ocupação urbana e proteção da fauna silvestre em discussão política permanente? Quem consegue mobilizar a cidade quando uma área ambiental está ameaçada?

Talvez existam várias pessoas fazendo parte deste trabalho. Mas ainda falta alguém, ou um movimento, capaz de reunir essas preocupações e dar a elas dimensão municipal.

E essa representação não precisa necessariamente nascer de um partido político. Pode surgir da sociedade civil, das universidades, de entidades, de coletivos ou de pessoas que conheçam profundamente o município. O importante é que tenha independência, conhecimento e disposição para cobrar qualquer governo.

É perfeitamente possível defender desenvolvimento econômico, novas empresas, empregos e expansão urbana ao mesmo tempo em que se exige planejamento ambiental. Na realidade, uma cidade moderna deveria justamente saber conciliar essas coisas.

Sumaré completa uma trajetória marcada por crescimento populacional, industrialização e expansão urbana. Agora precisa pensar também sobre aquilo que pretende preservar durante as próximas décadas.

Para isso, acredito que precisamos recuperar algo que já tivemos: uma defesa ambiental forte, reconhecida e capaz de incomodar quando for necessário.

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