Politicando: derrotados no poder, degraus para 2028 e herança em disputa
Elaine Amaral4 min de leituraDe saída
Na vida política, perder nas urnas significa sair de cena. Ao menos é assim que deveria acontecer. Você se candidata, o povo escolhe se quer você no cenário político. Se for eleito, fica. Se não, sai. Só que na vida real é bem diferente. Perder uma eleição numa cidade significa ganhar um cargo comissionado em outra. Basta dar uma olhada nas folhas de pagamento das cidades da região. Nelas estão diversos forasteiros que perderam eleições em outras cidades ou faziam parte de grupos políticos derrotados.
Não é exagero nem força de expressão: só sai da vida política quem quer ou quem fracassa miseravelmente. O prefeito derrotado em uma cidade pode ser um importante aliado em outra. O grupo político excluído em uma eleição pode ser a peça-chave em outra. Sempre ficam rodeando, pelas beiradas. A realidade é que, nesses casos, a vontade do povo não é soberana.
Via dupla
Se o interesse de quem nomeia derrotados para cargos comissionados é usufruir de seu poder e influência, quem ocupa os cargos tem um interesse: o salário. Até mesmo onde se paga pouco, já é muito. Além da renda, há o risco de favorecimentos — na falta de palavras melhores — capazes de complementar os ganhos de quem não tem caráter.
O garantido é o salário de comissionado no fim do mês, mas todo brasileiro conhece a política do país e sabe que, quando faltam caráter e controle, o poder pode abrir margem para renda extra. De qualquer maneira, mesmo sem cair nesses desvios, o pagamento já é maior do que 90% da população jamais sonharia. Uma pena que o erário público nem sempre seja usado em prol da população, mas para beneficiar aliados.
Alesp
Vários candidatos que estarão disputando vagas na Alesp apenas querem usar essa eleição como um degrau para suas ambições em 2028. Tem vereador expatriado querendo ser prefeito da cidade que abandonou, tem viúva querendo assumir o trono do falecido, tem primeira-dama querendo recuperar o que a má reputação do marido perdeu, tem segundo colocado sonhando em chegar em primeiro, tem vice derrotado querendo ir para as cabeças, tem indeciso que pulou de partido em partido querendo apagar o seu passado… Nem todos têm como interesse principal ocupar uma cadeira na Alesp e representar o seu povo. Para alguns, é apenas mais um degrau para chegar em 2028 em evidência.
2028 já está aí
Para muitos, a eleição de outubro é o que importa, mas, para outros, os trabalhos de 2028 já começaram. A realidade é que as movimentações políticas nunca param, e quem fica esperando apenas vê o bonde passando. Em Sumaré, os três principais grupos políticos que disputaram as últimas eleições continuam em movimento. Um ocupa a cadeira e os outros dois com certeza não desistiram do Paço Municipal.
Os dois que ficaram de fora são candidatos à Alesp. Pelo menos um deles tem grandes chances de ser eleito, ou melhor, reeleito. A realidade é que, em outubro, eles terão as respostas: se as suas chances mudaram para melhor ou para pior. A realidade é que ninguém está dormindo, porque não querem perder o horário.
Disputa de herança
Em Hortolândia, uma herança valiosíssima está em disputa indireta: a herança deixada pelo saudoso Angelo Perugini. A realidade é que Perugini transformou uma das cidades mais pobres e miseráveis da região em uma das mais prósperas. O povo é muito grato por isso; não à toa, foi eleito quatro vezes para o cargo. Quis o destino que uma tragédia acometesse o amado prefeito que, pouco tempo após ser reeleito pela quarta vez, acabou perdendo a vida para a Covid-19.
Assumiu então o seu vice, Zezé Gomes, que, no âmbito municipal, virou seu herdeiro direto. No âmbito estadual, entretanto, quem ficou com os espólios foi sua ex-esposa, Ana Perugini. Ela esteve presente em todas as mudanças pelas quais a cidade passou, não apenas como agente oculto, mas como peça atuante das transformações. Até 2024, essa divisão de bens funcionava, mas agora o cenário é outro.
Um dos maiores aliados, se não o maior, e braço direito de Ângelo aparece nessa disputa: Cafu César, atual vice-prefeito da cidade. Foi com a anuência de Cafu que Zezé foi eleito. Agora que Zezé não pode disputar mais uma eleição, Cafu pode ser o seu sucessor natural. Acontece que rola nos bastidores que quem vem para as cabeças é Ana Perugini, mesmo se reeleita para a Alesp.
Os verdadeiros herdeiros aparecem para disputar a herança: a ex-esposa que manteve atuação política na cidade e o parceiro fiel. Será que existe um cenário em que esses velhos amigos não apareçam como rivais nas urnas?
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