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Reconhecimento facial em escolas entra em debate em Sumaré

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Reconhecimento facial em escolas entra em debate em Sumaré

Em Sumaré, um projeto em tramitação na Câmara Municipal propõe o uso de reconhecimento facial para controlar a entrada e a saída de alunos nas escolas da rede pública, abrindo debate sobre segurança, privacidade e proteção de dados.

O que prevê a proposta

Apresentado pelo vereador Rudinei Lobo, o Projeto de Lei nº 69/2026 prevê a instalação de sistemas de biometria facial capazes de identificar estudantes e enviar notificações automáticas aos pais ou responsáveis sempre que o aluno entrar ou sair da unidade escolar.

O aviso poderá ser feito por aplicativo, SMS ou outros meios digitais. Segundo o texto, a adesão dependerá de autorização prévia dos responsáveis e deverá seguir as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

Nos casos em que não houver consentimento, a proposta garante a adoção de métodos alternativos de controle de presença.

Argumentos a favor

Na justificativa, o autor afirma que a medida pode reforçar a segurança escolar, melhorar o controle de frequência e reduzir casos de evasão, além de aproximar as famílias da rotina dos alunos.

Experiências semelhantes já teriam sido adotadas em cidades como Canoas (RS) e Salvador (BA), segundo o vereador.

Na prática, os defensores da proposta apontam ganhos de automatização e precisão. O reconhecimento facial reduz falhas humanas no controle de entrada e saída, dificulta fraudes e pode permitir resposta mais rápida em situações de emergência, já que a escola teria controle em tempo real de quem está no local.

O envio imediato de notificações também cria uma camada extra de monitoramento familiar, especialmente em casos de estudantes que deixam a escola antes do horário previsto.

Preocupações com privacidade e dados

Apesar das vantagens apontadas, a proposta levanta preocupações sobre privacidade e proteção de dados. A biometria facial envolve o tratamento de dados sensíveis, considerados de alto risco pela legislação.

Mesmo com a previsão de consentimento, no caso de crianças e adolescentes a decisão recai sobre os responsáveis, o que não elimina questionamentos sobre exposição e armazenamento dessas informações.

Outro ponto sensível é a segurança dos sistemas. Vazamentos ou acessos indevidos a bancos de dados biométricos podem gerar consequências graves, já que, diferentemente de senhas, dados faciais não podem ser alterados.

Há ainda desafios técnicos: sistemas de reconhecimento facial podem falhar em ambientes com grande circulação de pessoas, iluminação variável ou mudanças físicas nos usuários, o que pode gerar erros de identificação.

Impacto financeiro e debate jurídico

A proposta também traz implicações operacionais e financeiras. A implantação dessa tecnologia exige investimento em equipamentos, software, manutenção e treinamento de pessoal, o que pode impactar o orçamento público.

Além disso, existe o risco de desigualdade no acesso caso a infraestrutura não seja padronizada entre todas as unidades da rede.

No campo jurídico, embora o projeto mencione adequação à LGPD, a aplicação prática da lei em ambientes escolares ainda é tema em consolidação no país. Questões como tempo de armazenamento dos dados, finalidade específica do uso e responsabilidade em caso de incidentes tendem a ser centrais em eventuais regulamentações futuras.

Votação e precedente

Com a votação marcada, o debate em Sumaré reflete um cenário mais amplo: o avanço de tecnologias de vigilância em espaços públicos e o desafio de equilibrar inovação com garantias individuais.

Entre ganhos operacionais e riscos sensíveis, a decisão dos vereadores pode estabelecer um precedente sobre os limites do uso de dados biométricos na educação pública.

Da redação

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