Debate sobre “arrumar a casa” reacende legado político do grupo Dalben em Sumaré

Uma publicação recente do deputado estadual Dirceu Dalben reacendeu o debate sobre o legado político do grupo Dalben em Sumaré e as contradições em torno do discurso de recuperação financeira e administrativa da cidade.
Na postagem, o parlamentar afirma que, em 2016, a Prefeitura de Sumaré estava “quebrada”, com a população sofrendo diante de problemas estruturais e financeiros. Segundo ele, a situação começou a ser revertida a partir de 2017, quando seu filho, Luiz Dalben, assumiu a Prefeitura após vencer as eleições de 2016. De acordo com o deputado, a nova gestão reorganizou as contas públicas, retomou investimentos e devolveu capacidade de crescimento ao município. Ele também associa obras recentes, reformas urbanas, viadutos, investimentos em saúde e melhorias estruturais ao fato de a cidade ter sido “colocada em ordem” naquele período.
O ponto levantado no debate é que Luiz Dalben integrava a administração anterior apontada como responsável pela crise. Antes de assumir a Prefeitura em 2017, ele foi vice-prefeito da ex-prefeita Cristina Carrara, gestão frequentemente citada por aliados do grupo Dalben como responsável pelo colapso financeiro encontrado na cidade. Assim, o mesmo grupo político que depois afirmou ter “arrumado a casa” também participou diretamente do governo apontado como causador da desorganização administrativa.
O texto também relembra que Dirceu Dalben já comandou a Prefeitura de Sumaré. Durante sua passagem pelo Executivo, um dos episódios citados foi a crise do Hospital Conceição Imaculada, que enfrentou intervenção do estado e depois encerrou as atividades na gestão seguinte.
O tema voltou à tona após críticas de Dirceu à administração do atual prefeito, Henrique do Paraíso. Henrique foi vice de Luiz Dalben e escolhido pelo grupo político da família. Com o rompimento, a relação entre os dois grupos se tornou conflituosa. Nos primeiros meses da atual gestão, vieram à tona problemas como falta de uniformes escolares, ausência de kits para alunos, pagamentos atrasados a servidores e denúncias envolvendo compras milionárias de livros realizadas na administração anterior, alvo de questionamentos e investigações.
Segundo críticos da antiga administração, a diferença é que o grupo Dalben ocupou posições centrais no comando político de Sumaré durante grande parte das últimas décadas, seja diretamente na Prefeitura, na vice-prefeitura ou com forte influência política local. Enquanto aliados defendem que a cidade avançou em infraestrutura e investimentos durante os governos ligados à família Dalben, opositores argumentam que parte dos problemas estruturais enfrentados atualmente também surgiu ou se ampliou nesse período.
O debate em Sumaré segue marcado pela disputa sobre herança administrativa, responsabilidade fiscal e memória recente da população. No centro da discussão está o uso recorrente do discurso de “arrumar a bagunça” e o questionamento sobre quem ajudou a criar essa situação.
Fonte: Da redação.




