Politicando: vergonha ao vivo, fogo amigo e lealdades em disputa
Elaine Amaral5 min de leituraVergonha ao vivo
Um político de distinta carreira em Sumaré, ao anunciar sua pré-candidatura a deputado estadual nas redes sociais, recebeu uma enxurrada de comentários negativos. O problema é que o nome sempre compôs a tradicional direita sumareense.
Muito antes dos delírios extremistas que dizimaram o bom senso da política em nosso país, existia uma direita moderada que, em vez de fiscalizar o que cada um fazia dentro de quatro paredes, defendia a iniciativa privada, cortes de impostos e menos intervenção do Estado. Ele era o maior representante desse campo na cidade.
Acontece que, no último pleito da cidade, o respeitável político fez uma aliança mais à esquerda, por assim dizer. Esse movimento visava trazer um público mais moderado da direita para o candidato da esquerda, mas, aparentemente, o efeito foi o contrário e acabou afastando parte do eleitorado de direita do tradicional político conservador.
Os comentários chegavam a acusá-lo de ser de esquerda, o que é uma grande mentira porque, apesar da aliança, seu posicionamento sempre foi claro: de direita. Será que tem recuperação depois dessa? As urnas dirão!
E o Raí?
A aposta de Henrique do Paraíso para deputado federal na cidade é seu irmão, Raí do Paraíso. É com o nome da família que o prefeito vai testar a força de seu nome nas urnas em outubro. Naturalmente, espera-se que a base de governo siga seu líder, mas acontecimentos recentes indicam o contrário.
Em um vídeo publicado pelo Delegado Cunha sobre sua pré-candidatura, o secretário municipal de Segurança Pública aparece ao lado dele durante um evento da cidade, diante de uma placa com o logotipo do governo.
Ora, quem é que o grupo político de Henrique está apoiando? O irmão do prefeito ou o Delegado Cunha? Demonstrar coesão e convergência não é bom apenas para a eleição, mas também para a própria governança.
Na Prefeitura, o chefe é o prefeito. Obviamente, ele não pode obrigar ninguém a nada, mas aí está a questão: nenhum líder precisa obrigar ou mandar; o próprio respeito que impõe faz com que seja seguido. Será que a administração municipal irá se posicionar ou vai fingir que nada aconteceu?
E o Lula? E o PT?
Toda vez que uma notícia negativa afeta algum político fora da esfera da esquerda, em vez de fazer a mea culpa ou justificar a atitude, sempre aparece alguém perguntando: “Mas e o Lula? E o PT?”
Uma situação parecida aconteceu em Paulínia. A Câmara Municipal aprovou as contas de 2022 do ex-prefeito Du Cazellato, apesar do parecer prévio desfavorável do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Dois vereadores votaram pela rejeição, contrariando a maioria.
Depois, porém, um deles passou a ser alvo de críticas por causa da reprovação de suas contas eleitorais de 2024. Segundo a leitura desta coluna, setores da imprensa e da política da cidade começaram uma caça às bruxas contra o vereador.
Em vez de explicarem por que, apesar do parecer do TCE-SP, consideraram justa a aprovação das contas, preferiram atacar quem discordou. Para esta coluna, a reprovação eleitoral virou um “boi de piranha” para tirar a atenção do que aconteceu com Du Cazellato.
A que situação triste chegou a política de Paulínia…
Amam ou odeiam?
A avaliação do governo Leitinho continua ambígua em Nova Odessa. Uma página de notícias da cidade publicou uma enquete perguntando aos seguidores se o governo ia bem ou mal. As respostas foram mistas: alguns acham que o governo está bem, outros que está péssimo e há também aqueles que ficam em cima do muro.
Isso é um reflexo do próprio governo da cidade. Desde sua reeleição, Leitinho determinou que seu sucessor em 2028 seria Mineirinho. Na leitura desta coluna, o anúncio precoce contribuiu para a debandada de diversos grupos que compunham o governo e deixou a disputa pela sucessão ainda mais aberta. Até o candidato derrotado começou a testar a popularidade da esposa para a posição.
Acontece que, ao anunciar seu sucessor, a sensação é de que Leitinho desistiu de ser prefeito, e isso se reflete na cidade. Apesar de a cidade não estar na pior situação, poderia estar bem melhor.
Realmente, as coisas parecem meio abandonadas, desde o asfalto até a educação, a saúde e a segurança. Não está um caos como várias outras cidades da região já estiveram, mas também não reina a ordem como era costume nos bons e velhos tempos de Samartin.
É um governo mais ou menos. Por isso, os comentários foram tão mistos.
É preciso respeito
Todo mundo sabe que as alianças que governam as cidades são feitas por interesses políticos, mas, uma vez firmadas, precisam ser regidas com respeito.
Se um secretário aceitou o cargo, não importa quais promessas foram feitas: é preciso respeitar o chefe. O chefe é o prefeito; é ele quem recebeu os votos do povo. Seja bom ou mau, o prefeito é a concretização da vontade do povo.
Quando um secretário age pelas costas do prefeito, isso demonstra falta de lealdade política. Quem honra a própria palavra não se comporta como rato, agindo pelas costas de quem nele depositou confiança.
A grande questão é: será que os chefes sabem e fingem não ver ou realmente acreditam na lealdade dos lobos em pele de ovelha? Será que não percebem quando aliados trabalham para enfraquecer seus governos?
Comentários
Participe da conversa
Entre para comentar
Escolha Google ou receba um código no seu e-mail.




