Neymar, “um vagabundo idolatrado por um bando de crianças”: vitória sem grandeza
Elaine Amaral2 min de leitura
“Neymar, um vagabundo idolatrado por um bando de crianças”: foi assim que o presidente do Remo definiu Neymar na última quarta-feira, após o jogo. Por mais pesado que soe, Neymar tinha acabado de dar razão a ele.
O Santos venceu o jogo e se classificou na Copa do Brasil, com a vaga garantida. E o que Neymar faz? Em vez de ir para o vestiário celebrar com os companheiros, vai para a grade e fica gritando “eliminado”, provocando e repudiando aqueles que tinham acabado de perder.
E aí mora uma lição: Aristóteles ensina que a coroa das virtudes é a grandeza da alma. E ela tem uma marca: não precisa diminuir ninguém.
A soberba não é excesso de grandeza, é falta dela.
Quem precisa diminuir o outro para se sentir grande está confessando que, sozinho, não se acha grande o bastante.
Por isso, o caráter de um homem se revela em dois momentos distintos: como ele perde e como ele ganha.
Na derrota, não arrume desculpas nem culpe ninguém; levante a cabeça e reconheça o mérito de quem foi melhor.
Na vitória, faça o mais difícil: respeite quem perde, porque outro dia os papéis podem se inverter.
Agora, preste atenção: isso é sobre nós. Todos os dias, ganhamos e perdemos pequenas batalhas — uma negociação, uma discussão, uma promoção que foi para mim e não para o outro. É exatamente aí, nesses momentos, quando ninguém está vendo, que se define o tipo de pessoa que você é.
Aí entra a sabedoria antiga: tudo passa, tanto a sua vitória quanto a sua derrota. Salomão diria que é como correr atrás do vento: se dissipa.
O gol vira história, o placar na semana que vem ninguém se lembrará. Mas como você tratou quem disputou com você, ah, isso é perene.
Neymar ganhou uma partida de que ninguém vai lembrar e perdeu o respeito que poucos irão esquecer.
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