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Politicando: ressurreição eleitoral e protagonismo feminino em SP

Elaine AmaralElaine Amaral4 min de leitura

Ressurreição

A cada dois anos, quando as eleições se aproximam, vemos um acontecimento curioso: a ressurreição de algumas figuras. Das sombras, surgem para pedir votos, seja encabeçando chapas ou apoiando velhos e novos aliados.

Ao longo dos anos, não conseguem a doação de uma cesta básica sequer, mas, quando outubro vai chegando, as catacumbas se abrem e eles ressurgem. É uma cena inusitada, e quem não acompanha a política acha que eles sempre estiveram ativos. Não estiveram.

Não aparecem nos jornais porque não rendem notícias, não aparecem nas redes sociais porque não fazem nada de relevante e só aparecem em palanques porque, para pedir votos, sempre têm voz. Para trabalhar pelo povo, só se estiverem recebendo, e olha lá. Sem mandatos, ficam calados; com mandatos, fazem barulho. Estamos de olho!

Jacaré que dorme...

...a onda leva. Já dizia o ditado: quem não se movimenta acaba sendo esquecido. Nessas eleições, isso fica cada vez mais óbvio. A maioria dos votos fica disputada entre as personalidades mais ativas, e as migalhas são divididas entre os Zé do Bar da vida.

Acham que seu nome e endereço são suficientes para ganhar uma eleição, mas se esquecem de que só sai vitorioso das urnas quem se movimenta. Da direita à esquerda, nessas eleições isso fica ainda mais evidente. Os estreantes, mesmo sem mandatos, estão ativos nas redes sociais, participando de debates, dando entrevistas a jornais, se aliando a movimentos sociais, religiosos e afins.

O “bom nome” do Zé do Bar não é mais suficiente para vencer; é preciso estar presente e em movimento. Puxa aí na memória os nomes dos candidatos que você mais viu nos jornais nos últimos meses: esses serão os vencedores. Os oportunistas de último segundo podem aparecer agora, mas não vencem nem para síndico.

Gosto amargo

Se, nas primeiras fases da Copa do Mundo, os azarões nos davam esperança, nessa etapa tudo ficou mais claro. Os azarões podem até avançar, mas a vitória é sempre dos consolidados. Seja por mérito dos vencedores, como no caso França x Paraguai e Inglaterra x México, ou por serem beneficiados pela arbitragem, como no caso de Cabo Verde x Argentina e Egito x Argentina.

Isso deixa um gosto amargo nas nossas bocas, pois sabemos bem como essa realidade se reflete na nossa. Os consolidados na política usam a máquina para se manter no poder, e a pouca renovação que vemos é daqueles beneficiados pelo sistema.

Nas últimas eleições municipais, diversas cidades da região votaram pela “renovação”, mas basta olhar a composição dos governos para ver os mesmos nomes. Renovação no papel; na prática, são os velhos conhecidos. Os “azarões” que venceram, venceram porque se venderam ao sistema e foram beneficiados por ele. Os demais venceram porque já eram parte do sistema.

A realidade é que, sem luta, sem consciência e sem memória, vamos continuar elegendo os mesmos abutres a cada vez. Depois de outubro me diz se estou mentindo...

Protagonismo feminino

Em São Paulo, a disputa pelo Senado conta com dois nomes de peso na liderança. Um deles é da ex-senadora e ex-ministra Marina Silva. O outro é da ex-ministra Simone Tebet. Ambas fazem parte do campo progressista e compõem o governo Lula.

Apesar de a aversão à esquerda ser forte em SP, a maneira como Tarcísio vem governando muda a percepção do paulista. Aliado a isso, a escolha de nomes polêmicos e fracos para disputar o Senado pela direita também não ajudou.

Derrite cuida da segurança, que está cada vez mais precária no estado. Já a segunda vaga da direita vem sendo disputada por André do Prado e Ricardo Salles. Prado é um deputado com pouca expressão, e Salles ficou conhecido por passar a motosserra na nossa floresta enquanto ministro de Bolsonaro.

O protagonismo feminino nessa disputa vai além da capacidade, talento e honestidade das candidatas, que é inegável, mas também esbarra na mediocridade e falta de confiança nos candidatos da direita.

Irrelevância

São Paulo é a máquina que move o país, mas politicamente está ficando cada vez mais irrelevante. Nas últimas eleições, Tarcísio não sabia nem onde votava e mal conhecia onde morava. Carioca, vivia em Brasília enquanto ministro de Bolsonaro e só veio para SP para abocanhar o governo do estado mais rico do país.

Sua atuação deixa claro como desconhece o estado, e o aumento da criminalidade, das organizações criminosas e o surgimento de milícias mostra como ele adotou o modus operandi do Rio de Janeiro em SP, coisa que o PSDB não deixou acontecer.

Já a representação no Senado é uma piada. Quem aí sabe quais são os três atuais senadores por SP? Alguém? Um é o astronauta que se senta para jantar com terraplanistas; outro é o suplente do Major Olímpio, negacionista da Covid que morreu de Covid. A terceira é Mara Gabrilli, mais apagada que eclipse, completamente irrelevante na política.

Como é que SP, que comandava o país, conseguiu ser arrastado para a completa irrelevância com essa nova “direita” no poder?

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