Moção em Monte Mor pede apoio do Congresso a estudos de regeneração medular com polilaminina
A Câmara de Monte Mor aprovou por unanimidade uma moção de apelo ao Congresso Nacional pela aceleração e priorização dos estudos com a polilaminina, terapia experimental brasileira desenvolvida por pesquisadores da UFRJ para o tratamento de lesões agudas na medula espinhal. A iniciativa, proposta pelo vereador Edson Silva (PL), busca dar visibilidade aos testes clínicos autorizados pela Anvisa e cobrar apoio estrutural e financeiro para o avanço da ciência nacional.

A Câmara de Monte Mor aprovou por unanimidade uma moção de apelo ao Congresso Nacional pela aceleração e priorização dos estudos com a polilaminina, terapia experimental brasileira desenvolvida por pesquisadores da UFRJ para o tratamento de lesões agudas na medula espinhal. A iniciativa, proposta pelo vereador Edson Silva (PL), busca dar visibilidade aos testes clínicos autorizados pela Anvisa e cobrar apoio estrutural e financeiro para o avanço da ciência nacional.
A manifestação formal do Legislativo municipal é direcionada aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, solicitando que o parlamento nacional atue para garantir celeridade administrativa, desburocratização e investimentos públicos em linhas de pesquisa de ponta que possam transformar a vida de pessoas com deficiência física motora permanente.
O apelo político aprovado em Monte Mor
Apresentada por meio da Moção nº 53/2026, a proposta de Edson Silva destaca a urgência enfrentada por famílias de pacientes que sofrem traumas medulares decorrentes de acidentes de trânsito, quedas e violência. O documento parlamentar defende maior apoio das instâncias federais de saúde para viabilizar as etapas de pesquisa clínica e sugere a discussão sobre a ampliação dos critérios de inclusão de voluntários.
Na avaliação dos vereadores, o apelo público de cidades do interior paulista fortalece a mobilização da sociedade civil para que o Brasil valorize seus cientistas e não deixe tratamentos promissores paralisados por restrições orçamentárias.
A ciência por trás da polilaminina: pioneirismo da UFRJ
A polilaminina é fruto de quase três décadas de dedicação científica liderada pela professora e biomédica Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão polimerizada da laminina, proteína natural que forma a matriz celular e desempenha papel vital na regeneração e crescimento de conexões nervosas.
Em testes pré-clínicos com animais, a aplicação da substância estimulou a formação de novos axônios e a reconexão neural através da área lesionada da medula, permitindo a recuperação gradual de movimentos. Trata-se de uma das pesquisas mais promissoras da medicina regenerativa no mundo.
Testes de Fase 1 em humanos e suporte do Samu
Apesar do otimismo e da comoção pública, a polilaminina ainda não está disponível como medicamento comercial. Em janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu autorização para o início do ensaio clínico regulatório de Fase 1 em seres humanos, focado estritamente em avaliar a segurança e a toxicidade do fármaco.
O estudo piloto contempla inicialmente cinco voluntários adultos com diagnóstico de lesão completa e aguda da medula torácica, ocorrida em um intervalo inferior a 72 horas. Os pacientes recebem a aplicação no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e são monitorados durante seis meses. Para cumprir a exigente janela temporal de 72 horas, o Ministério da Saúde articulou equipes do Samu 192 para identificação e transporte ágil dos voluntários elegíveis.
Pressão política e respeito ao rigor metodológico
Iniciativas políticas como a moção aprovada em Monte Mor cumprem um papel nobre de amplificar a demanda social por verbas públicas e atenção governamental para a pesquisa nacional. Por outro lado, analistas ressaltam que o rito científico e as exigências sanitárias da Anvisa existem para garantir que nenhuma substância seja introduzida na rede hospitalar sem a comprovação rigorosa de sua eficácia e ausência de efeitos adversos graves.
O equilíbrio entre a urgência legítima de pacientes com lesão medular e o cumprimento das etapas metodológicas de segurança continuará pautando o debate público à medida que os resultados da Fase 1 forem consolidados pelos centros médicos participantes.
(Da Redação)
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