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Sumaré pode pagar preço muito alto se não eleger deputados em outubro

Com quase 300 mil habitantes, Sumaré corre o risco de perder força política e recursos parlamentares se a pulverização de candidaturas deixar a cidade sem representantes na Alesp e no Congresso.

Elaine AmaralElaine Amaral4 min de leitura

As eleições de outubro vão muito além da escolha de nomes para ocupar cadeiras na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional. Para as cidades, elas também definem quem estará próximo o suficiente para conhecer seus problemas, acompanhar suas demandas e abrir portas junto aos governos estadual e federal.

Uma cidade do tamanho e da importância de Sumaré tem demandas proporcionais à sua dimensão. São quase 300 mil habitantes que dependem de investimentos em saúde, mobilidade, segurança, educação e infraestrutura. Ter representantes com vínculos com o município não garante recursos automaticamente, mas significa possuir alguém dentro das estruturas estadual e federal que conheça essas necessidades de perto.

Sumaré e Hortolândia possuem representação ligada diretamente aos municípios na Assembleia Legislativa e aparecem com frequência entre as cidades da Região do Polo Têxtil contempladas por emendas parlamentares.

Não significa que os deputados devam trabalhar exclusivamente pelas cidades onde construíram suas carreiras. Um deputado estadual representa todo o Estado de São Paulo. Mas seria ingenuidade imaginar que vínculos políticos, conhecimento das necessidades locais e interlocução permanente com lideranças municipais não tenham importância na hora de defender investimentos.

Americana talvez seja o melhor exemplo regional de como a representação muda com o tempo. Durante décadas, a cidade contou com enorme projeção política. Vanderlei Macris acumulou sucessivos mandatos como deputado estadual antes de chegar à Câmara dos Deputados, enquanto Cauê Macris ocupou por três mandatos uma cadeira na Assembleia Legislativa, instituição que chegou a presidir.

Independentemente de qualquer avaliação partidária sobre essas lideranças, Americana possuía interlocutores diretamente ligados ao município ocupando posições importantes em São Paulo e Brasília.

Hoje, a realidade é diferente. A cidade está sem representante direto na Alesp e na Câmara dos Deputados. E, justamente em um período no qual Americana enfrenta grandes demandas por investimentos públicos, a ausência de uma liderança parlamentar diretamente identificada com o município torna ainda mais evidente a importância dessa discussão.

Nas eleições deste ano, Sumaré terá a oportunidade de ampliar sua presença política. Ao mesmo tempo, a quantidade de candidaturas vinculadas à cidade também traz uma variável inevitável do sistema eleitoral: a dispersão dos votos.

Muitos candidatos locais não significam necessariamente mais representantes eleitos. Dependendo da distribuição dos votos, do desempenho dos partidos e federações e do resultado geral da eleição, pode ocorrer justamente o contrário.

É uma situação que merece atenção porque a representação política não deve ser lembrada apenas durante a campanha eleitoral.

É depois das urnas que começam as articulações por recursos, emendas, programas estaduais, investimentos e interlocução com secretarias e ministérios. É nesses momentos que possuir alguém que conhece a cidade, seus bairros e suas necessidades pode fazer diferença.

Isso não transforma automaticamente um candidato local em uma escolha melhor. Existem bons e maus representantes em qualquer cidade, assim como existem parlamentares que trabalham por municípios onde sequer possuem domicílio eleitoral.

O voto é livre, e talvez esta seja justamente uma das maiores virtudes da democracia: cada cidadão possui o direito de escolher aquele que considera mais preparado para representá-lo, independentemente de sua cidade, partido ou origem. Mas Sumaré também precisa compreender aquilo que estará em jogo em outubro.

Para um município de seu tamanho, representação política não é apenas uma questão de orgulho local. É capacidade de articulação, presença institucional e uma voz permanentemente lembrando ao Estado que quase 300 mil pessoas vivem aqui e possuem demandas que precisam ser atendidas.

O eleitor não precisa necessariamente escolher alguém de Sumaré. Mas, antes de decidir seu voto, vale fazer uma pergunta: quem estará olhando para Sumaré depois que a eleição terminar? A resposta pertence exclusivamente ao eleitor, já as consequências dessa escolha serão compartilhadas pela cidade inteira.

(Elaine Amaral / Especial para o SPASSO Cidades)

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