Mão de obra qualificada, incerteza fiscal e Reforma Tributária estão no centro das preocupações da indústria

A falta de mão de obra qualificada, a incerteza fiscal e a Reforma Tributária lideram as preocupações da indústria na região de Campinas, segundo a Pesquisa de Sondagem Industrial de maio apresentada pelo Ciesp Regional Campinas na terça-feira, 26, com empresas associadas. De acordo com o diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, 31% das empresas citaram o apagão de mão de obra qualificada e outros 31% apontaram a incerteza fiscal e a Reforma Tributária. O custo do capital e as taxas de juros elevadas aparecem para 23% das empresas, enquanto 15% relataram pressões inflacionárias e menores margens de lucro. A necessidade de adaptação tecnológica, como Inteligência Artificial e automação, não foi apontada por nenhuma empresa respondente.
Sobre os indicadores da sondagem industrial, que incluem volume de produção, faturamento e nível de mão de obra, José Henrique afirmou que eles seguem nos patamares dos meses anteriores. No entanto, disse que há preocupação com a falta de mão de obra qualificada, o custo do capital, as taxas de juros elevadas e a incerteza fiscal gerada pela Reforma Tributária. Segundo o diretor, “Esses dados levantados na pesquisa, nos indicam incertezas para os próximos meses”.
O vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, comentou o ambiente de comércio exterior e a volatilidade dos últimos meses em função dos conflitos geopolíticos. Na avaliação dele, esse contexto amplia o impacto do custo dos fretes para as empresas, enquanto a navegação ainda precária no Estreito de Ormuz contribui para a manutenção de um cenário incerto.
Na balança comercial regional, o valor exportado em abril de 2026 foi de US$ 330 milhões, alta de 10,58% na comparação com abril de 2025. No acumulado do ano, as exportações somam US$ 1,1 bilhão, 1,05% acima do mesmo período do ano anterior. As importações em abril de 2026 totalizaram US$ 1,2 bilhão, alta de 6,37% ante abril do ano passado. No acumulado de 2026, foram US$ 4,2 bilhões, 0,06% abaixo do mesmo período do ano anterior.
O déficit comercial em abril de 2026 foi de US$ 885 milhões, 4,88% menor que o registrado em abril de 2025. O déficit acumulado chegou a US$ 3,1 bilhões, queda de 0,46% em relação ao mesmo período de 2025. Já a corrente de comércio exterior regional, soma de exportações e importações, foi de US$ 1,5 bilhão em abril de 2026, aumento de 7,24% sobre abril de 2025. No acumulado do ano, a corrente de comércio exterior soma US$ 5,4 bilhões, alta de 0,17% na comparação anual.
Entre os principais municípios exportadores da Regional Campinas do Ciesp em março de 2026 estão Campinas, com 37,7%, Paulínia, com 17,06%, Sumaré, com 9,69%, Mogi Guaçu, com 7,61%, e Santo Antônio de Posse, com 6,15%. Entre os que mais importaram estão Paulínia, com 41,26%, Campinas, com 25,83%, Jaguariúna, com 8,11%, Hortolândia, com 7,51%, e Sumaré, com 5,05%.
Os três principais destinos das exportações da indústria regional em abril de 2026 foram Estados Unidos, com US$ 64,68 milhões e 19,60%, Argentina, com US$ 39,07 milhões e 11,84%, e México, com US$ 17,89 milhões e 5,42%. Os principais países de origem das importações para a região em abril de 2026 foram China, com US$ 330,30 milhões e 27,18%, Estados Unidos, com US$ 171,33 milhões e 14,10%, e Coreia do Sul, com US$ 125,68 milhões e 10,34%.
O Ciesp-Campinas reúne 590 empresas associadas em 19 municípios da região. Juntas, essas empresas somam faturamento anual de R$ 53 bilhões e empregam 97.954 colaboradores.
Fonte: Roncon & Graça Comunicações.




