Gaeco mira esquema milionário de falsos investimentos e lavagem ligada ao PCC na região de Campinas
Operação do Gaeco e do Baep cumpre mandados em Campinas, Hortolândia e Paulínia contra esquema de aplicações financeiras fraudulentas suspeito de lavar dinheiro do crime organizado.

Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu seis pessoas na região de Campinas na terça-feira (22 de setembro), durante investigação sobre um suposto esquema milionário envolvendo falsos investimentos e lavagem de dinheiro. Entre os presos está um policial militar que atua em Hortolândia.
A investigação apura a atuação de uma organização que, segundo o Ministério Público, apresentava oportunidades de investimento aparentemente legítimas para captar recursos de vítimas em várias regiões do país. Os investigadores também apuram indícios de que a estrutura financeira tenha sido utilizada para movimentar recursos provenientes de outras atividades criminosas, inclusive valores possivelmente relacionados ao tráfico de drogas ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao todo, a Justiça expediu oito mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Piauí. Na região metropolitana, a ofensiva contou com o apoio operacional do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Quatro pessoas foram presas em Campinas, uma em Hortolândia e outra em Paulínia. Um sétimo investigado foi localizado na capital paulista, enquanto outro segue foragido.
Entre os seis detidos na região está um policial militar que atua em Hortolândia. De acordo com o tenente-coronel Wanderley Turolla, comandante do 1º Baep, ele é casado com uma consultora financeira também investigada e detida na operação. O policial foi conduzido à Corregedoria da Polícia Militar para os procedimentos disciplinares cabíveis, com acompanhamento do 48º Batalhão da PM, responsável pelo policiamento em Hortolândia e Sumaré.
A decretação da prisão preventiva tem caráter cautelar e não representa condenação definitiva; a responsabilidade individual e o eventual grau de participação de cada investigado serão rigorosamente apurados na instrução do processo judicial.
Mecanismo de atração e aplicativos simulados
Segundo o Gaeco, pessoas físicas e jurídicas investigadas se apresentavam publicamente como assessores credenciados e ofertavam aplicações financeiras com promessa de rentabilidade expressivamente superior às médias praticadas pelo mercado bancário formal, com foco nos setores imobiliário e do agronegócio.
O promotor Rafael Salzedas, do Gaeco de Campinas, explicou que o mecanismo operava pela conquista progressiva da confiança dos investidores. Inicialmente, as vítimas visualizavam retornos elevados e eram estimuladas a aportar volumes cada vez mais vultosos de capital. Contudo, quando solicitavam o resgate dos recursos ou dos rendimentos acumulados, a organização criava justificativas operacionais sucessivas para reter o dinheiro.
Para conferir aparência de sofisticação e legitimidade ao negócio, o grupo desenvolveu aplicativos exclusivos para smartphones que simulavam plataformas bancárias profissionais. Nessas interfaces digitais, os investidores acompanhavam extratos fictícios dos valores supostamente aportados e dos rendimentos prometidos.
A organização também mantinha um escritório físico estruturado no bairro nobre do Cambuí, em Campinas, além de veicular publicidade de alcance nacional em veículos de imprensa e na internet. Essa estratégia ampliou a base de vítimas por diferentes estados brasileiros.
Pulverização financeira e apuração sobre facção criminosa
O foco das apurações ganhou nova dimensão quando os órgãos de inteligência financeira constataram que as contas bancárias receptoras dos valores dos clientes também recebiam montantes de fontes incompatíveis. O Ministério Público investiga se a estrutura formal do falso negócio de investimentos era aproveitada como esteira de lavagem e ocultação de capitais para o crime organizado, com atenção a fluxos do narcotráfico atribuídos ao PCC.
Os promotores ressalvam que essa eventual conexão permanece sob apuração técnica e que a apuração não presume que todo o capital movimentado pelas empresas tenha origem ilícita ou que todos os investigados tenham vínculos diretos com a facção criminosa.
Até o momento, mais de 20 vítimas foram formalmente identificadas, com prejuízos que já alcançam cifras milionárias — apenas duas das vítimas relatam perdas estimadas em R$ 700 mil. As investigações apontam que, logo após o ingresso nas contas do grupo, os valores eram rapidamente pulverizados em dezenas de transações e contas pulverizadas para inviabilizar o rastreamento bancário.
Todo o material apreendido — computadores, telefones celulares e registros documentais — foi encaminhado para perícia técnica, cujos laudos subsidiarão os próximos desdobramentos da denúncia do Ministério Público.
(Da Redação)
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