Operação Sangria investiga corrupção e fraude em contratos da Saúde de Nova Odessa
Polícia Civil cumpriu mandados em quatro cidades da região e apreendeu R$ 49 mil em espécie; Prefeitura declara confiar na integridade do secretário.

A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (7) a Operação Sangria para investigar suspeitas de corrupção, peculato, fraude em contrato de credenciamento na área da Saúde e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Prefeitura de Nova Odessa. Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em quatro municípios da Região Metropolitana de Campinas (Nova Odessa, Campinas, Indaiatuba e Hortolândia) e resultaram na apreensão de dinheiro vivo, veículos, aparelhos celulares, computadores e documentos.
Um dos principais alvos da operação policial é o secretário municipal de Saúde de Nova Odessa, Lucas Bento da Silva Isepon. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Regional das Garantias da 4ª Região Administrativa Judiciária de Piracicaba e cumpridas em endereços residenciais, comerciais e repartições funcionais.
Origem das investigações e apreensões em dinheiro
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início a partir de uma abordagem realizada em dezembro de 2025, quando R$ 30 mil em dinheiro foram apreendidos em Campinas. Na ocasião, surgiram indícios de que o montante seria destinado a um agente público relacionado a um contrato de credenciamento de serviços na rede de Saúde municipal.
A partir dessa constatação, os investigadores passaram a rastrear possíveis repasses ilegais e manobras financeiras destinadas a mascarar o fluxo de recursos públicos:
“As apurações indicam possível pagamento de vantagem indevida e a tentativa de ocultar a origem e o destino de recursos públicos por meio de movimentações em espécie e interpostas pessoas”, informou a Polícia Civil em nota.
Durante as diligências desta semana, foram apreendidos R$ 49 mil em espécie, cinco veículos, além de equipamentos eletrônicos e pastas de documentos que passarão por perícia detalhada para reconstruir as movimentações contábeis. A operação é conduzida pelo Setor de Controle de Lavagem de Dinheiro (Seccold), da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), vinculada ao Deic de Piracicaba.
Posicionamento da Prefeitura de Nova Odessa
A deflagração da operação atinge uma das pastas mais estratégicas da administração do prefeito Cláudio José Schooder, o Leitinho (PSD). Em nota oficial, a Prefeitura de Nova Odessa informou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo e, por essa razão, não dispõe de elementos suficientes para emitir uma manifestação conclusiva sobre o mérito das suspeitas.
O Poder Executivo declarou que respeita o trabalho das autoridades policiais e continuará à disposição para apresentar todos os documentos e esclarecimentos requisitados. No mesmo comunicado, a administração municipal expressou publicamente confiança “no trabalho, na integridade e no profissionalismo do secretário de Saúde”.
A Polícia Civil ressaltou que a Operação Sangria permanece em estágio investigativo e que o cumprimento de mandados de busca e apreensões não equivale à formação de culpa definitiva, cabendo à análise técnica dos materiais confirmar ou descartar a ocorrência das infrações.
(Da Redação)
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