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Feminicídios na região entram em debate após moção de repúdio no Parlamento Jovem de Sumaré

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Feminicídios na região entram em debate após moção de repúdio no Parlamento Jovem de Sumaré

O aumento dos casos de feminicídio e tentativa de feminicídio na Região Metropolitana de Campinas voltou ao centro do debate público após parlamentares jovens de Sumaré apresentarem uma moção de repúdio contra a escalada da violência contra mulheres.

A manifestação ocorreu durante a 4ª sessão ordinária do Parlamento Jovem, realizada no último sábado (16), e mobilizou estudantes em torno da discussão sobre segurança, políticas públicas e violência de gênero.

A mobilização acontece em meio a uma sequência recente de casos na região. Em abril, uma mulher de 46 anos foi internada após sofrer agressões em Sumaré, em um caso registrado como tentativa de feminicídio pela Delegacia de Defesa da Mulher. Ainda em janeiro, um homem foi preso após o assassinato da companheira no Jardim Nova Esperança, no primeiro feminicídio registrado no município em 2026.

Em Hortolândia, dados divulgados pelo CRAM, centro municipal de referência no atendimento a mulheres vítimas de violência, apontam que a cidade registrou nove feminicídios em 2025, após uma sequência crescente nos anos anteriores. Nas últimas semanas, um homem foi preso suspeito de matar a companheira no Jardim Boa Esperança, deixando dois filhos órfãos. Em outro caso recente, um homem foi detido após tentar atropelar uma mulher em uma ocorrência registrada como tentativa de feminicídio.

Embora os registros mais recentes tenham ganhado repercussão em Sumaré e Hortolândia, o debate também alcança cidades como Monte Mor e Nova Odessa, onde autoridades e movimentos sociais acompanham com preocupação o crescimento da violência doméstica e dos discursos de ódio contra mulheres nas redes sociais.

Outro tema citado nas discussões sobre segurança pública e violência de gênero é a expansão de movimentos conhecidos como red pill, incel e outros grupos digitais marcados por discursos misóginos e hostilidade contra mulheres. Segundo o texto, especialistas em comportamento digital e violência de gênero vêm alertando que esses ambientes online frequentemente funcionam como espaços de radicalização masculina, normalização do ódio e banalização da violência psicológica e física contra mulheres.

O debate ganhou dimensão nacional após o Senado aprovar, em março, o Projeto de Lei 896/2023, que criminaliza a misoginia ao incluir a prática entre os crimes de discriminação previstos na Lei do Racismo. O texto prevê punições para atos de ódio, discriminação e incitação contra mulheres.

A proposta abriu uma disputa política em Brasília. Parlamentares da direita e da extrema direita passaram a atacar publicamente o projeto, alegando riscos à liberdade de expressão e subjetividade na definição de misoginia. Entre os opositores citados estão o deputado federal Nikolas Ferreira e nomes como Bia Kicis, Mario Frias e Julia Zanatta.

Nikolas classificou o projeto como uma “aberração” e afirmou que atuará para barrar a proposta na Câmara dos Deputados.

Nikolas Ferreira, deputado federal

O tema se espalhou pelas redes sociais, impulsionado por influenciadores políticos e grupos alinhados ao discurso conservador, ampliando a polarização sobre violência de gênero e liberdade de expressão.

Enquanto o embate político cresce em Brasília, os casos continuam se acumulando nas cidades da região. Em muitas situações, os crimes são precedidos por histórico de violência doméstica, ameaças, perseguição e agressões psicológicas que acabam ignoradas até o desfecho mais extremo.

A mobilização dos parlamentares jovens de Sumaré expõe a preocupação de que o feminicídio deixou de ser um episódio isolado para se tornar um problema estrutural, alimentado por violência doméstica, impunidade, discursos de ódio e normalização da misoginia em diferentes ambientes sociais e digitais.

Fonte: Da redação.

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