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Direita chega a 2026 dividida, e Flávio Bolsonaro já não reina sozinho

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Direita chega a 2026 dividida, e Flávio Bolsonaro já não reina sozinho

Durante muito tempo, parecia inevitável que Flávio Bolsonaro herdaria naturalmente o espólio político do pai e chegaria às eleições presidenciais como o nome absoluto da direita brasileira. Hoje, esse cenário já não parece tão simples.

Nos últimos meses, Flávio Bolsonaro passou a enfrentar desgastes que antes pareciam improváveis. A aproximação com o governo Donald Trump, a controvérsia envolvendo o tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, ataques ao Pix e promessas de entrega de recursos naturais do Brasil abriram espaço para críticas não apenas da esquerda, mas também dentro do próprio campo conservador.

A situação ganhou novos contornos quando o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que a atuação de Flávio teria sido prejudicial aos interesses econômicos brasileiros. A crítica tem peso justamente por partir de um político que disputa o mesmo eleitorado e que procura se apresentar como uma direita firme, porém mais institucional e menos dependente da família Bolsonaro.

Independentemente da interpretação jurídica sobre os acontecimentos, a discussão política passou a ser outra: até que ponto um presidenciável pode manter interlocução tão próxima com um governo estrangeiro enquanto interesses econômicos brasileiros são diretamente afetados? Para muitos eleitores conservadores, a defesa da soberania nacional sempre foi uma bandeira importante. Quando esse tema passa a gerar dúvidas dentro do próprio campo da direita, o desgaste político é inevitável.

Ao mesmo tempo, outras frentes de desgaste surgem no horizonte. As repercussões envolvendo o Banco Master e outros episódios recentes mantêm parte do noticiário voltado para o entorno do bolsonarismo, retirando da campanha o protagonismo exclusivo que Flávio parecia ter conquistado no início da corrida eleitoral.

Outros nomes

Ronaldo Caiado procura ocupar o espaço da experiência administrativa, apostando no discurso de gestor e tentando se diferenciar do embate permanente entre lulismo e bolsonarismo. Romeu Zema continua investindo na imagem de administrador liberal e empresário bem-sucedido, buscando atrair um eleitorado que deseja uma direita econômica sem tantos conflitos ideológicos.

Há ainda Michelle Bolsonaro. Sua decisão de deixar a presidência nacional do PL Mulher alimentou especulações em Brasília sobre seu futuro político. Oficialmente, não existe rompimento com o projeto do partido, mas os bastidores passaram a discutir se a ex-primeira-dama pretende construir um caminho próprio dentro do campo conservador.

Mesmo sem confirmar qualquer pretensão presidencial, Michelle permanece como uma das figuras mais populares entre o eleitorado bolsonarista, especialmente entre mulheres e evangélicos.

O eleitorado evangélico foi decisivo para consolidar o bolsonarismo nos últimos anos. Qualquer sinal de perda de espaço nesse segmento pode alterar significativamente a dinâmica da disputa, principalmente se Michelle decidir exercer um papel mais ativo na sucessão política da família.

Outro fator importante é o PSD de Gilberto Kassab. O partido aposta em Ronaldo Caiado como candidato próprio, demonstrando que uma parcela expressiva do centro-direita prefere construir um projeto independente do PL. Kassab é reconhecido pela capacidade de articulação e dificilmente toma decisões políticas olhando apenas o curto prazo. Sua movimentação poderá influenciar diretamente o equilíbrio das forças em um eventual segundo turno.

Disputa interna

Em 2022, a disputa parecia girar quase exclusivamente em torno de Lula e Bolsonaro. Em 2026, Lula continua sendo o principal nome da esquerda, mas a direita já não apresenta a mesma unidade.

Flávio Bolsonaro permanece como um dos favoritos dentro do seu campo político. Ainda possui um eleitorado consolidado, forte identificação com a base bolsonarista e estrutura partidária relevante. Mas já não caminha sozinho.

Caiado, Zema, Michelle Bolsonaro e outros nomes começam a disputar espaços que antes pareciam automaticamente reservados ao sobrenome Bolsonaro. A eleição ainda está longe. Muita coisa pode mudar até o início oficial da campanha. Mas uma conclusão já parece possível: a maior disputa da direita talvez não seja contra Lula. Será dentro da própria direita.

Fonte: Da redação

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