Spasso Cidades
Política

Declarações de Sílvio Natal ampliam impasse sobre emenda de R$ 300 mil à AAANO em Nova Odessa

3 min de leitura
Declarações de Sílvio Natal ampliam impasse sobre emenda de R$ 300 mil à AAANO em Nova Odessa

O impasse envolvendo a emenda impositiva de R$ 300 mil destinada à Associação Amigos dos Animais de Nova Odessa (AAANO) ganhou um novo capítulo após declarações atribuídas a Sílvio Natal, ex-vereador e atual secretário-adjunto de Segurança Pública da Prefeitura de Nova Odessa, cargo comissionado da gestão do prefeito Cláudio Schooder, o Leitinho (PSD).

A manifestação provocou reação da entidade, que publicou uma nota de repúdio no último domingo (28), afirmando que as declarações atingiram a reputação da associação, que atua desde 1994 no resgate, acolhimento e cuidado de animais no município.

A AAANO também questionou se as falas representam o posicionamento oficial da Prefeitura e pediu esclarecimentos públicos da Administração Municipal.

Em nota oficial, a Prefeitura de Nova Odessa afirmou que repudia manifestações de natureza pessoal, ofensas ou ataques que ultrapassem os limites do debate institucional.

A Administração destacou que divergências técnicas, jurídicas e políticas fazem parte do processo democrático, mas defendeu que os debates devem ocorrer com respeito às pessoas e instituições.

A Prefeitura também afirmou que o impedimento apontado na emenda não tem relação com a atuação da AAANO ou com sua idoneidade.

Segundo a nota, “não existe qualquer apontamento, restrição ou juízo negativo em relação às referidas entidades”, ressaltando que as instituições beneficiadas têm relevância social e prestam serviços importantes à população.

O Executivo reiterou que o problema estaria relacionado exclusivamente ao enquadramento técnico e legal da despesa dentro das regras que disciplinam recursos vinculados às ações e serviços públicos de saúde.

Apesar da disputa política, o caso também revela um ponto técnico importante.

A emenda apresentada pela vereadora Priscila Peterlevitz (União Brasil) destinava R$ 300 mil para o “custeio do abrigo municipal de animais”, com o objetivo de garantir bem-estar, controle populacional e acolhimento de animais em situação de vulnerabilidade.

O recurso, porém, foi vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, dentro da manutenção da Vigilância Sanitária, com classificação orçamentária ligada às ações de saúde.

É justamente nesse ponto que surgiu a divergência.

A Prefeitura argumenta que recursos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) precisam atender finalidades específicas de saúde pública, e que a redação da emenda, ao priorizar o custeio geral do abrigo, poderia gerar impedimento técnico.

Por outro lado, a vereadora e a AAANO defendem que o trabalho realizado pela entidade tem relação direta com saúde pública, especialmente em ações como controle populacional, prevenção de zoonoses e redução de riscos sanitários.

O episódio demonstra que a discussão não envolve apenas a importância da causa animal, mas também o correto enquadramento orçamentário dos recursos públicos.

Uma redação mais específica, vinculando diretamente a aplicação da verba a ações de vigilância, prevenção de zoonoses e controle populacional, poderia ter reduzido o espaço para interpretações divergentes. O custeio geral implica a possibilidade de incluir pagamento de salários, alimentação e afins, o que poderia criar divergências sobre seu enquadramento em saúde pública.

O conflito deixa evidente que os envolvidos apresentam argumentos baseados em interesses públicos distintos.

A vereadora busca garantir a execução da emenda que indicou. A AAANO afirma precisar dos recursos para manter o atendimento aos animais. A Prefeitura sustenta que precisa respeitar os limites legais para evitar problemas fiscais e administrativos.

No fim, o maior impacto da disputa recai justamente sobre os animais atendidos pela entidade.

Enquanto o debate técnico e político continua, cães e gatos em situação de vulnerabilidade permanecem como o ponto central de uma discussão que poderia ter sido evitada com um alinhamento mais preciso entre a finalidade da emenda e a origem do recurso.

Da redação

CompartilharWhatsAppFacebookX / Twitter

Comentários

Participe da conversa

Entre para comentar

Escolha Google ou receba um código no seu e-mail.

Veja Também