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Data center bilionário de IA em Sumaré: desenvolvimento, empregos e desafios urbanos

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Data center bilionário de IA em Sumaré: desenvolvimento, empregos e desafios urbanos

Sumaré caminha para receber um dos maiores investimentos privados de sua história recente. Com aporte estimado em US$ 1,2 bilhão apenas em infraestrutura, além de outros US$ 5 bilhões previstos em equipamentos pela empresa que ocupará o espaço, o novo data center voltado exclusivamente à inteligência artificial promete colocar o município no mapa mundial da economia digital.

O empreendimento, batizado de Sumaré 3, será o primeiro grande data center brasileiro concebido desde a origem para atender exclusivamente aplicações de inteligência artificial. A estrutura terá capacidade inicial de 90 MW, poderá chegar a 180 MW e deve entrar em operação em aproximadamente 18 meses.

Ao mesmo tempo em que o anúncio desperta entusiasmo pelo potencial econômico, ele também levanta discussões que acompanham grandes data centers em diferentes países: consumo de energia, uso de água, ruído, impacto ambiental e pressão sobre a infraestrutura urbana.

Embora muita gente associe inteligência artificial apenas ao ChatGPT ou a assistentes virtuais, essas tecnologias dependem de grandes estruturas físicas. Um data center é, essencialmente, um conjunto de servidores capazes de armazenar informações e realizar bilhões de cálculos por segundo. No caso da IA, esses cálculos são mais intensos do que em centros de dados convencionais.

Enquanto um rack tradicional costuma consumir cerca de 8 kW, os equipamentos destinados à IA podem operar entre 60 kW e até 1 MW cada, multiplicando a necessidade de energia e de refrigeração. Esse aumento de potência explica por que data centers passaram a ocupar posição estratégica na disputa tecnológica mundial.

Entre as preocupações envolvendo esse tipo de empreendimento, o consumo elétrico é uma das principais. Data centers de inteligência artificial estão entre as instalações industriais que mais consomem energia no mundo, e em diversos países já há debate sobre sua influência no sistema elétrico e sobre a necessidade de expansão da geração de energia.

No caso de Sumaré, a Ascenty afirma que toda a operação utilizará energia proveniente de fontes renováveis e de autoprodução. Isso reduz o impacto ambiental relacionado à emissão de carbono, mas não elimina outro desafio: a necessidade de uma infraestrutura elétrica robusta para alimentar uma operação dessa magnitude.

Por isso, um dos pontos a acompanhar é a capacidade da rede de transmissão e distribuição de sustentar uma operação de grande porte sem afetar a estabilidade do sistema.

Outra preocupação recorrente envolve o uso de água. Em diversos países, data centers passaram a ser criticados pelo elevado consumo hídrico usado no resfriamento dos servidores. No projeto de Sumaré, entretanto, esse risco parece ter sido reduzido. Segundo a empresa, o sistema utilizará refrigeração líquida em circuito fechado, reaproveitando continuamente a mesma água durante a operação.

A Ascenty afirma que, atualmente, o consumo anual de seus sistemas equivale ao de apenas nove residências com quatro moradores cada. Caso os números sejam mantidos na nova estrutura, um dos principais pontos de preocupação ambiental tende a ser minimizado.

Outro tema pouco discutido é o ruído. Grandes data centers possuem centenas de equipamentos elétricos funcionando de forma ininterrupta, além de geradores de emergência, sistemas de ventilação e subestações elétricas. Quando mal projetados, podem gerar níveis elevados de ruído para áreas vizinhas.

Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre estudos acústicos específicos do empreendimento de Sumaré. Como o projeto deve utilizar predominantemente resfriamento líquido, que depende menos de grandes ventiladores industriais, há expectativa de redução do ruído operacional em comparação com centros tradicionais.

Ainda assim, a localização da estrutura e a implantação de barreiras acústicas poderão ser fatores importantes para evitar impactos futuros.

A criação de empregos é outro ponto que costuma gerar expectativa. Durante a construção, empreendimentos dessa dimensão costumam movimentar centenas ou até milhares de trabalhadores entre construção civil, engenharia e fornecedores. Na fase operacional, porém, a realidade é diferente.

Por serem altamente automatizados, os data centers empregam relativamente poucas pessoas em comparação ao volume investido. Os postos permanentes concentram-se em áreas como tecnologia, engenharia elétrica, manutenção, segurança patrimonial e operação especializada. O maior impacto econômico costuma ocorrer de forma indireta, atraindo empresas de tecnologia, telecomunicações e serviços para o entorno.

Até o momento, o projeto divulgado responde a parte das preocupações normalmente associadas aos data centers, especialmente quanto ao uso de água e à utilização de energia renovável.

Outros temas ainda deverão ser acompanhados durante as fases de licenciamento, implantação e operação, como impactos sobre a infraestrutura elétrica, eventuais níveis de ruído, trânsito de veículos pesados durante as obras e reflexos urbanísticos para a região.

Mais do que um prédio cheio de computadores, o novo data center representa uma mudança na vocação econômica de Sumaré. Se, por um lado, abre portas para uma economia baseada em tecnologia de ponta, por outro exigirá planejamento público e fiscalização para que o crescimento venha acompanhado de sustentabilidade, transparência e qualidade de vida para a população.

Fonte: Da redação

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