Após denúncias do 'concreto invisível', Prefeitura de Nova Odessa confirma irregularidades e multa empresa em mais de R$ 1,2 milhão
A Prefeitura de Nova Odessa confirmou, por meio de processos administrativos internos, irregularidades em contratos públicos investigados após denúncias do vereador André Faganello (Podemos) sobre obras de calçadas e intervenções urbanas que teriam sido pagas com valores acima do que, segundo medições técnicas, efetivamente foi executado.
As decisões administrativas, publicadas pela Secretaria de Administração, resultaram na aplicação de multas que ultrapassam R$ 1,28 milhão contra a empresa ELO9 LTDA, responsável por contratos ligados a atas de registro de preços firmadas em pregões presenciais realizados em anos anteriores. Além das penalidades financeiras, a empresa foi declarada inidônea para contratar com o poder público e fica impedida de participar de licitações enquanto não houver ressarcimento integral dos prejuízos apontados aos cofres públicos.
O caso ganhou repercussão após denúncias feitas por Faganello, que passou a chamar o episódio de “escândalo do concreto invisível”. Segundo o texto, a série de denúncias expôs, com documentos, vídeos e números, supostas divergências entre materiais pagos e serviços efetivamente executados em diferentes regiões da cidade.
Um dos casos citados envolve a praça do Jardim Marajoara, onde, segundo documentos apresentados pelo vereador com base em sindicância interna da própria Prefeitura, uma obra que recebeu pagamentos superiores a R$ 421 mil teria tido execução real estimada em apenas R$ 86 mil. De acordo com os dados apresentados, dezenas de caminhões de concreto pagos não teriam sido localizados na execução física da obra.
As denúncias também alcançam outros pontos da cidade, incluindo áreas próximas à UBS 5, ao hospital municipal e uma praça que, segundo o parlamentar, já existia antes dos pagamentos registrados. Em alguns casos, a diferença entre valores pagos e custos técnicos estimados ultrapassaria centenas de milhares de reais.
Com a confirmação oficial de irregularidades por parte da administração, o caso amplia questionamentos sobre fiscalização interna, controle de medições e acompanhamento técnico de contratos públicos em Nova Odessa. As decisões administrativas também citam a possibilidade de responsabilização de ex-agentes públicos envolvidos nos processos analisados, o que pode ampliar o alcance das investigações. Caso os valores não sejam devolvidos de forma voluntária, o município poderá buscar ressarcimento pela via judicial.
O episódio também aprofunda a crise política entre o prefeito Cláudio José Schooder, o Leitinho (PSD), e o vereador André Faganello. Nas últimas sessões da Câmara, os dois protagonizaram embates públicos, trocas de acusações e ameaças de judicialização. Ainda cabe recurso administrativo por parte da empresa e dos citados nos processos, e a palavra final sobre a homologação das penalidades caberá ao chefe do Executivo.
Fonte: Da redação.
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