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Sumaré acerta ao incentivar a pesquisa, mas expõe a urgência de uma universidade pública

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Sumaré acerta ao incentivar a pesquisa, mas expõe a urgência de uma universidade pública

A aprovação do Programa Municipal de Incentivo à Pesquisa Biomédica e Inovação em Saúde “Cientista Tatiana Sampaio” é um passo importante para Sumaré, mas expõe uma lacuna estrutural: a cidade ainda não conta com uma universidade pública instalada em seu território.

Ao reconhecer em lei a relevância da ciência, da inovação e das parcerias acadêmicas, Sumaré sinaliza que quer ocupar um lugar mais ambicioso no debate sobre desenvolvimento. O gesto é relevante, mas não resolve um problema central.

Sem uma universidade pública, o município fica dependente de articulações externas, de centros acadêmicos de outras cidades e de uma rede que não nasce nem se consolida localmente. Isso limita o alcance de qualquer política científica e aumenta o risco de transformar uma iniciativa promissora em algo mais simbólico do que efetivo.

Desenvolvimento exige estrutura permanente

No contexto de uma cidade com população expressiva e posição estratégica em uma das regiões mais industrializadas do país, essa carência pesa ainda mais. Sumaré tem condições de pensar grande, mas para isso precisa avançar para além dos incentivos e assumir a defesa de uma política estrutural de educação superior pública.

Não se trata apenas de formar profissionais. Trata-se de criar um ecossistema capaz de produzir pesquisa aplicada, dialogar com o sistema de saúde, reter talentos e conectar conhecimento científico às demandas concretas da cidade.

Homenagem e simbolismo científico

O próprio nome do programa homenageia a cientista Tatiana Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cujo trabalho com a polilaminina simboliza o tipo de fronteira científica que exige continuidade, laboratório, equipe multidisciplinar e investimento de longo prazo.

A relevância desse campo reforça a tese central: inovação biomédica não prospera isoladamente. Ela depende de infraestrutura, formação e integração entre ensino, pesquisa e extensão.

Começo, não chegada

Por isso, a aprovação do programa deve ser lida como começo, não como chegada. Sumaré precisa transformar o discurso em projeto de cidade. E isso passa, necessariamente, pela luta política por uma universidade pública no município — uma instituição capaz de sustentar o desenvolvimento científico de forma permanente, em vez de apenas celebrar sua possibilidade.

Sem esse passo, o incentivo à pesquisa corre o risco de permanecer como uma vitrine bem-intencionada, desconectada da base necessária para converter potencial científico em resultado concreto.

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