Região de Campinas reúne quase 7 mil negócios ligados às feiras livres

O Dia do Feirante é celebrado em 25 de agosto. Na região de Campinas, uma pesquisa do Sebrae-SP realizada em julho de 2026, com informações da Receita Federal, identificou 6.756 comércios e serviços ligados às feiras livres diurnas e noturnas em 22 municípios. O levantamento considera microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs) que atuam com hortifrutigranjeiros, artesanato e alimentação, entre outras atividades.
Daniela Cria, analista de negócios do Sebrae-SP, avalia que os números refletem uma tradição importante para a economia e para a identidade regional. “A atividade de feirante costuma passar de geração em geração e está presente há muitos anos em cidades grandes e pequenas. Além disso, três em cada quatro feirantes são MEIs, o que mostra a importância da formalização para esses pequenos negócios.”
Segundo a analista, o Sebrae-SP oferece cursos gratuitos e on-line para empreendedores em áreas como marketing, finanças, inovação e gestão de pessoas. “Há mais de 50 anos, o Sebrae-SP caminha ao lado dos pequenos negócios, e oferecer capacitação tanto para quem está começando quanto para quem já tem experiência é uma forma de apoiar esses empreendedores na gestão, no crescimento e no aumento do faturamento. Negócios mais preparados também contribuem para fortalecer a economia da região.”
Campinas é destaque na pesquisa
Campinas registra 2.622 micro e pequenas empresas nas atividades ligadas às feiras, o equivalente a 38,8% do total regional. A cidade conta com quase 130 pontos de feiras livres diurnas e noturnas, mais de 1.200 permissionários e 4.200 pessoas trabalhando nesses espaços, segundo dados da Prefeitura.
Solange Higa Vieira, sobrinha de dona Amélia, fundadora da Banca de Pastel D. Amélia, destaca a continuidade familiar da atividade. “A feira livre é uma tradição que vem de geração em geração. A Banca de Pastel da D. Amélia está aqui desde 1978 e, atualmente, o filho e o neto da fundadora tomam conta e eu ajudo a gerenciar as feiras. A feira também é o sustento da nossa casa e acabou se tornando uma tradição não só da nossa família, mas das famílias que trabalham conosco. Temos funcionários que estão conosco há 20, 30 anos, desde adolescentes. Hoje já trabalham aqui pais, filhos, genros, netos, sobrinhos.”
Ela acrescenta que espera que a tradição seja mantida pelas novas gerações. “Os avós, pais e mães devem continuar a frequentar as feiras e mostrar para os filhos e netos a importância de valorizar os pequenos comércios locais e as tradições históricas.”
Matheus Araújo, filho da proprietária de uma banca de milho e derivados, ajuda a mãe há nove anos. “Se minha mãe hoje não puder trabalhar, eu vou estar aqui. É uma tradição que a gente vai levando, vendo os filhos crescerem e trabalhando juntos. É muito importante poder continuar essa história da minha família na feira e eu quero que meus filhos possam continuar também. As feiras livres são muito importantes para nós, é o trabalho na feira que paga nossas contas todos os meses.”
Júlia Pereira, namorada de Matheus, também trabalha na banca. “É muito gostoso criar essa fidelidade com o cliente. Você conversa no dia a dia, dá um conselho, às vezes a pessoa está triste e só de você dar um bom dia ela já muda completamente o dia. É uma relação que vai muito além da venda.”
Para ela, a feira também está ligada à família e às lembranças de infância. “Eu lembro de quando ia à feira, comia um pastel, um milho. Acho que existe esse vínculo afetivo, que passa de geração para geração.”
Enrique Lerena, presidente da autarquia Serviços Técnicos Gerais (Setec), responsável pelas feiras livres e noturnas em Campinas, ressalta o papel comunitário e econômico desses espaços. “As feiras livres e as noturnas são muito mais do que lugares para fazer compras: é um ponto de encontro entre moradores, famílias, comerciantes e produtores, fortalecendo os vínculos comunitários. As feiras movimentam a economia local, geram empregos e proporcionam uma importante fonte de renda para feirantes, agricultores, produtores, comerciantes, artistas e trabalhadores envolvidos na cadeia de abastecimento. Além do tradicional pastel de feira e outros alimentos preparados para consumo imediato, nesses espaços o campineiro encontra alimentos frescos, como frutas, legumes, verduras e pescados.”
Dia do Feirante
A data de 25 de agosto faz referência à primeira feira livre realizada no país, em 25 de agosto de 1914, no Largo General Osório, no bairro Santa Efigênia, em São Paulo.
Municípios considerados no levantamento: Águas de Lindóia, Amparo, Artur Nogueira, Campinas, Conchal, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Monte Mor, Paulínia, Pedreira, Santo Antônio de Posse, Serra Negra, Socorro, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.
Fonte: Sebrae-SP
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