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O crime em Itumbiara e a sociedade adoecida pelo machismo

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O crime em Itumbiara e a sociedade adoecida pelo machismo

Um homem matou os próprios filhos em Itumbiara (GO) e, em seguida, tirou a própria vida, em um crime ocorrido na semana passada que reacende o debate sobre violência de gênero e punição simbólica de mulheres por parte da sociedade.

Segundo o texto original, o autor do ataque teria deixado uma carta culpando a esposa e mãe das crianças pela tragédia, acusando-a de traição. O caso é atribuído a Thales Machado, secretário da prefeitura do município, que teria matado os dois filhos para se vingar da companheira.

O episódio é descrito como uma forma de feminicídio indireto, chamado de “homicídio vicário”, quando a morte de outras pessoas — em geral filhos e enteados — é usada para atingir a mulher. O texto ressalta que, independentemente do estado civil ou da vida afetiva da vítima, não há qualquer justificativa para o assassinato de crianças.

O caso é contextualizado por dados recentes. Em 2025, 1.470 mulheres morreram vítimas de feminicídio no Brasil, número apontado como recorde histórico. Segundo um estudo da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, a “não aceitação” do fim do relacionamento foi fator em 33% desses crimes em 2020.

Outro levantamento, divulgado na Austrália em 2024, mostrou que 68% dos casos de filicídio foram praticados por pais, enquanto as mães responderam por 32% das ocorrências.

Familiares e amigos afirmam que Machado e a esposa já estariam separados e que ele não aceitava a separação. Desde que a tragédia veio a público, a mãe das crianças passou a ser atacada nas redes sociais e também em público.

No dia do enterro de um dos filhos, ela teria sido vaiada e xingada no cemitério, segundo a mídia local. O texto também cita comentários nas redes que culpabilizaram a mãe mesmo após a perda das crianças.

“Não tem santo nessa história. Que os dois paguem.”

“Ela é culpada, sim. Ela destruiu a família.”

“Ela traiu, aí o cara ficou de cabeça quente e aconteceu essa tragédia.”

Comentários citados no texto original

Para o autor, a reação social expõe uma sociedade fundamentalista em que mulheres são punidas “com pedras”, mesmo quando são elas as vítimas do crime e da violência moral que se segue à tragédia.

O texto conclui que a mãe deveria estar sendo acolhida pela sociedade, e não atacada e caluniada, e transforma o episódio em uma reflexão sobre machismo, misoginia e a persistência da culpabilização feminina no Brasil.

Fonte: Nina Lemos.

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