O resultado reforça a imagem da cidade em expansão e com ambiente favorável aos negócios. O setor de serviços concentrou 67,2% das novas aberturas, seguido por comércio, indústria e construção civil. A agropecuária teve participação residual.
Em termos de porte, 65,1% das novas empresas são Microempreendedores Individuais (MEIs), totalizando 1.289 registros.
A leitura oficial destaca que pequenos negócios impulsionam a economia local, promovem geração de renda e formalizam trabalhadores. Contudo, o crescimento de CNPJs nem sempre indica expansão orgânica do empreendedorismo: parte do movimento pode estar associada à pejotização da força de trabalho.
Entregadores, vendedores, prestadores de serviço, profissionais da logística, da área administrativa e de segmentos tradicionalmente regidos pela CLT vêm sendo estimulados e pressionados a abrir MEI para prestar serviços como empresa, embora na prática mantenham relação típica de emprego.
Segundo o texto, essa dinâmica reduz encargos para contratantes e transfere riscos e fragilidades ao trabalhador. A pejotização inflaciona estatísticas: melhora indicadores formais de abertura de empresas, mas não necessariamente amplia a base produtiva real ou fortalece cadeias econômicas estruturadas.
Muitas vezes, altera apenas a forma jurídica de uma relação de trabalho já existente, mascarando vínculos empregatícios sob o rótulo de prestação de serviço.
O texto ressalta que empreendedorismo genuíno é positivo e merece estímulo, mas que crescimento econômico sustentável envolve geração de emprego formal, estabilidade, proteção social e aumento real de produtividade.
Quando a formalização via MEI ocorre por necessidade e não por vocação empreendedora, o fenômeno revela adaptação a um mercado de trabalho cada vez mais flexível — para alguns, excessivamente flexível.
Cláudio José Schooder, o Leitinho, celebrou os dados como reflexo de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico.
A reportagem conclui que os números são positivos, mas que a interpretação exige maturidade e vigilância da sociedade e da imprensa.
Fonte: Da redação.
