Câmara de Monte Mor rejeita pedidos de informação à Prefeitura

Pela segunda vez em poucas semanas, a maioria dos vereadores da Câmara de Monte Mor rejeitou pedidos de informação destinados à Prefeitura. A votação ocorreu na sessão ordinária desta segunda-feira (8), onde dois requerimentos apresentados pelo vereador Bruno Leite (União Brasil) foram derrotados por dez votos contra dois.
As propostas buscavam esclarecimentos sobre áreas frequentemente alvo de reclamações da população: o abastecimento de medicamentos nas farmácias municipais e a prestação dos serviços de iluminação pública. O Requerimento 26/2026 solicitava documentos e informações detalhadas sobre a disponibilidade de remédios na rede municipal de saúde.
Requerimentos e Defesas
O texto foi elaborado com base em relatos de moradores que, segundo o vereador, vêm enfrentando dificuldades para encontrar medicamentos essenciais. Entre os dados pedidos estavam a lista de medicamentos fornecidos pelo município, os quantitativos em estoque e registros de eventuais episódios de desabastecimento nos últimos 12 meses.
Já o Requerimento 27/2026 buscava informações sobre os serviços de iluminação pública. A proposta citava reclamações relacionadas à demora na troca de lâmpadas e nos reparos realizados pela administração, além de questionar os prazos médios de atendimento das solicitações feitas pela população.
Durante a discussão das matérias, o líder do governo na Câmara, vereador Professor Adriel (PDT), defendeu a rejeição dos requerimentos. Segundo ele, grande parte das informações solicitadas já está disponível no Portal da Transparência da Prefeitura.
Consequências da Rejeição
O parlamentar também argumentou que, na atual legislatura, dezenas de requerimentos foram aprovados sem que tenham resultado em investigações, comissões processantes ou outras medidas relacionadas a irregularidades. Para Adriel, o excesso de pedidos de informação pode transmitir à população uma sensação equivocada de que existiriam problemas administrativos sem que haja indícios concretos para isso.
Em posição oposta, Bruno Leite afirmou que os requerimentos representam uma das principais ferramentas de fiscalização à disposição dos vereadores. Segundo ele, os documentos foram motivados por reclamações recebidas de moradores sobre a falta de medicamentos, incluindo remédios da área de saúde mental e até mesmo ibuprofeno.
O parlamentar também criticou a dificuldade de acesso a determinadas informações no Portal da Transparência e afirmou que ofícios e requerimentos encaminhados ao Executivo nem sempre são respondidos. Durante o debate, questionou qual seria o papel fiscalizador do Legislativo caso pedidos de informação continuem sendo barrados pela maioria dos vereadores.
A votação reforça um cenário que tem se repetido no Legislativo municipal, onde requerimentos de fiscalização direcionados à administração acabam enfrentando resistência da base governista. Na prática, a rejeição impede que a Prefeitura seja obrigada a prestar esclarecimentos formais sobre temas que motivaram reclamações da população.
Da redação
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