Spasso Cidades
Sumaré

Câmara cobra Artesp; impasse em Sumaré mantém Corredor Metropolitano incompleto

3 min de leitura
Câmara cobra Artesp; impasse em Sumaré mantém Corredor Metropolitano incompleto

A crise no transporte intermunicipal voltou ao plenário da Câmara de Sumaré nesta semana, com cobrança por providências à Artesp e ao Governo do Estado diante dos problemas nas linhas que ligam o município a Campinas, Americana, Nova Odessa e Hortolândia, na Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Durante a fase do Expediente, a Indicação nº 1.756, apresentada pelo vereador Wellington Souza, pediu fiscalização mais rigorosa sobre o serviço prestado pelas concessionárias.

Os relatos da população se repetem: superlotação, atrasos frequentes, redução de frota aos fins de semana, intervalos longos entre ônibus e falhas mecânicas constantes.

A cobrança é legítima, mas existe um problema estrutural que raramente ocupa o centro do debate: a principal solução de mobilidade regional está incompleta e travada justamente em Sumaré.

O corredor que deveria integrar a região

O Corredor Metropolitano Vereador Biléo Soares foi planejado para integrar Campinas, Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Americana e Paulínia, com faixas exclusivas, terminais modernos e mais previsibilidade operacional.

Nos demais municípios, os trechos foram entregues ao longo dos últimos anos, com estações, terminais e ligações viárias em funcionamento. Em Hortolândia e Campinas, o trecho complementar foi concluído em 2021.

Em Nova Odessa, Americana e Santa Bárbara d’Oeste, terminais metropolitanos e intervenções estruturais foram finalizados entre 2015 e 2018.

O trecho que emperrou o projeto

A integração regional avançou, exceto na variante SumaréHortolândia, trecho de 7,6 quilômetros que permanece em fase de projeto há mais de uma década.

Segundo o histórico do impasse, entre os fatores apontados ao longo dos anos estão entraves técnicos, falhas de planejamento e resistência de grupos econômicos da cidade, especialmente na região da Avenida Rebouças, onde comerciantes temem impactos sobre vagas de estacionamento e dinâmica comercial.

A influência desses interesses acabou se sobrepondo à necessidade coletiva de mobilidade.

Efeito direto no transporte diário

O resultado é paradoxal: enquanto vereadores cobram a Artesp por melhorias emergenciais nas linhas intermunicipais, a infraestrutura capaz de reduzir superlotação, garantir regularidade e ampliar a oferta de ônibus continua bloqueada por uma decisão política que nunca foi enfrentada com firmeza.

Ao assumir a Prefeitura, o atual prefeito Henrique do Paraíso encontrou o projeto praticamente paralisado e sem prioridade por parte do Governo do Estado. Ainda assim, o atraso acumulado não começou agora: ele se arrasta por sucessivas gestões municipais que não conseguiram, ou não quiseram, resolver o impasse.

Sem o trecho sumareense, o corredor perde eficiência operacional e deixa de cumprir sua função estratégica de reorganizar o transporte metropolitano.

A consequência recai diretamente sobre mais de 200 mil moradores da cidade, que continuam dependentes de um sistema pressionado, irregular e insuficiente.

Entre a cobrança imediata e a solução definitiva

Cobrar a agência reguladora é parte da solução imediata. Concluir o corredor é a solução estrutural.

Enquanto essa equação não for enfrentada com prioridade e transparência, a crise no transporte intermunicipal seguirá sendo debatida em plenário e vivida diariamente nos pontos de ônibus.

Fonte: Da redação.

CompartilharWhatsAppFacebookX / Twitter

Veja Também