Politicando: prisão em Sumaré, tensão no STF e o risco de pulverização de votos na região
Impacto da prisão do presidente da Câmara de Sumaré ecoa na política regional; disputa no Judiciário e candidaturas 'trampolim' para 2028 alertam para perda de representação da RMC.
A Casa Caiu
O presidente da Câmara Municipal de Sumaré, o vereador Hélio Silva, o “Mister M”, foi preso pela Polícia Federal. Os pormenores é possível acompanhar pelas matérias que abundam na imprensa livre. O que mais assusta é que o mais alto cargo do legislativo municipal possa estar suscetível a situações como essa. Até que o juiz lavre sua decisão final, todos são inocentes até que se prove o contrário, mas certos achados nessa busca e apreensão ficam difíceis de justificar. A questão é que isso mostra como a política sumareense é frágil e, a qualquer momento, até mesmo o mais nobre dos edis pode acabar atrás das grades. É uma cena triste de se ver: mesmo que provada a inocência, quais caminhos se tem de trilhar para acabar numa situação dessa? O desejo geral é de que tudo seja esclarecido, mas a realidade é que acabamos nos acostumando com situações como essa...
Não é novidade
A cena que todos viram, do vereador Hélio Silva saindo algemado pela polícia, não é novidade na nossa região. Não faz muito tempo, o vice-prefeito de Hortolândia saiu assim, com sua imagem estampada em todos os jornais da região e do estado. É triste que dois nomes de tamanha importância em nossa região, Hélio Silva e Cafu César, tenham passado por isso. Independentemente da culpa de cada um e da decisão judicial final, é triste para nossa política que cenas como essa resumam nossa região. Uma grande diferença há, entretanto: as imagens de Cafu o mostram com o rosto descoberto, de cabeça erguida. Já Hélio Silva saiu de cabeça baixa e rosto tapado. Seria porque apenas um deles teve a oportunidade de escolher se cobria ou não a cabeça? Ou foi uma escolha de Cafu sair de cabeça erguida? A questão é que ambas as imagens estarão para sempre na história de nossa região.
Momento sombrio
Não é apenas nossa região que passa por um momento sombrio, mas também o STF. A briga entre Alexandre de Moraes e André Mendonça toma novas proporções, com outros ministros tendo de intervir. Enquanto Mendonça tenta promover mudanças na diretoria da Polícia Federal logo quando as investigações se aproximam dos grandes envolvidos no caso do Banco Master, Alexandre de Moraes tenta tirar de si o holofote. A realidade é que, se Alexandre ou Mendonça são inocentes, a melhor maneira de provar é garantindo a independência e isonomia da Polícia Federal. Vale lembrar que, durante o governo de Jair Bolsonaro, a liderança da Polícia Federal foi trocada quatro vezes. Já Lula fez a troca apenas uma vez, quando o então Diretor-Geral da PF assumiu a direção da Abin em 2007. Quem é que tem medo da Polícia Federal?
Escalada na violência
Enquanto Hortolândia gosta de fazer propaganda das obras entregues, a cidade tenta esconder uma escalada nos casos de violência, em especial na violência contra a mulher. Incapaz de resolver o problema, a cidade assiste paralisada os números subirem. Estupro, estupro de vulnerável, violência doméstica e até feminicídio são cada vez mais comuns na cidade. Obviamente que o cenário do machismo generalizado, movimento red pill e afins ajudam o número a crescer, mas é inegável que em Hortolândia a situação acontece de forma mais acentuada. Por que será que a cidade sofre tanto para reverter a situação?
Disputa acirrada
Quem vê as propagandas eleitorais pode ter a percepção de que a disputa para deputado está bem acirrada, mas é só visitar as cidades vizinhas para perceber quem realmente está lutando por uma vaga na Alesp e quem está fazendo do pleito um trampolim político para 2028. Ninguém irá vencer sendo votado apenas na sua cidade: a campanha precisa ser regional. Então, se a esposa do fulano só tem material em uma cidade e nas outras não, significa que seu foco não é vencer, mas sim se promover para 2028. Esses casos ficam cada vez mais claros, porque há candidatos aparecendo em todos os lugares. Esses sim querem vencer. Mas para ganhar não basta querer: muitos sabem que suas chances são irrisórias e, por isso, aproveitam o fundo eleitoral e o espaço para se promoverem com o intuito de chegarem a 2028 mais fortes e conhecidos. Acontece que atitudes assim geram um grande problema: pulverizar os votos da região.
Espalha tudo
Quando o excesso de candidatos faz com que os votos de uma determinada região fiquem espalhados, isso abre espaço para que a região perca sua representação. A realidade é que, quando o fulaninho de não sei lá o que sai candidato sem chances de vencer, mesmo assim ele receberá alguns votos, que irão ajudar a eleger um ciclano lá de São Paulo. Pela eleição proporcional, quem não se elege contribui com seus próprios votos para a coligação da qual faz parte, e isso acaba ajudando apenas os mais votados. Mesmo o sumareense tendo votado naquele conhecido querido, se ele não receber votos suficientes para se eleger, vai acabar ajudando a eleger um desconhecido. Esse desconhecido não vai querer saber quantos votos vieram de Sumaré: ele vai é trabalhar por sua cidade e região. Por isso é importante não apenas votar nos candidatos de sua região, mas escolher bem quem vai receber esses votos, em especial aqueles que têm maiores chances de serem eleitos. Somente assim a representação pode ser garantida.
(Da Redação)
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