Radar de Negócios: rombo de US$ 12,7 bi na balança comercial, recuperação no emprego e expansão do Covabra
Déficit regional atinge US$ 12,75 bilhões, enquanto saldo de empregos na RMC volta a crescer puxado por mulheres e jovens; Covabra dobra centro de distribuição em Sumaré.
Sinal de alerta: RMC tem rombo de US$ 12,75 bi na balança comercial
O déficit da Balança Comercial da Região Metropolitana de Campinas (RMC) acumulado nos últimos 12 meses atingiu a marca de US$ 12,75 bilhões, superior ao saldo negativo de todo o estado de São Paulo, que fechou o período em US$ 10,77 bilhões. Os dados são do Informativo da Balança Comercial, referente a julho, do Observatório PUC-Campinas. O resultado indica que a RMC é, isoladamente, responsável por um rombo maior que o do estado inteiro, cabendo às demais regiões paulistas gerar saldos positivos que compensem parcialmente as perdas da região de Campinas.
Exportações disparam em julho, mas ficam abaixo das importações
No recorte mensal de julho, as exportações da RMC totalizaram US$ 551,42 milhões, um avanço de 14,89% em comparação com julho de 2025. O ritmo das vendas externas foi quatro vezes superior ao das importações, que cresceram 3,37% e somaram US$ 1,86 bilhão no mesmo período. Apesar desse dinamismo, o saldo do mês permaneceu negativo em US$ 1,31 bilhão, uma queda de 0,83% frente ao ano anterior, o que reforça o caráter estrutural e persistente do déficit da região.
Vendas do Estado para os EUA recuam
As exportações do Estado de São Paulo para os Estados Unidos recuaram 9,7% no acumulado de janeiro a julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio (Amcham). A retração atingiu tanto produtos sujeitos às sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos quanto itens isentos das medidas. A maioria das indústrias exportadoras do Estado está localizada no interior e muitas delas na Região de Campinas.
No acumulado do ano, as vendas de produtos paulistas sobretaxados entre 25% e 37,5% caíram de forma mais significativa (-31,5%). Ao mesmo tempo, itens não submetidos às tarifas adicionais também registraram redução (-11,6%) nas exportações, entre eles aviões, suco de laranja e preparações alimentícias de bovinos.
Depois de dois anos no vermelho, RMC registra alta nas contratações em julho
Após dois anos com as demissões superando as contratações no mês de julho, em 2026 o mercado de trabalho na Região Metropolitana de Campinas (RMC) voltou a registrar saldo positivo, segundo o “Boletim do Emprego na RMC”, elaborado pelo Observatório PUC-Campinas. Em julho, o mercado contratou mais do que demitiu, com um saldo de 1.249 novos empregos na região.
Mulheres e jovens puxam as novas vagas criadas
Segundo o Boletim, mulheres e jovens em início de carreira foram os principais responsáveis pelas novas contratações. O destaque do boletim é a profunda disparidade de gênero e idade nas contratações. O resultado positivo de junho foi integralmente sustentado pelas mulheres, que registraram saldo de +1.408 vagas, compensando a perda de postos masculinos (-159). No acumulado de 12 meses, essa diferença é ainda mais drástica: enquanto as mulheres conquistaram 12.462 novas vagas, os homens perderam 4.442.
Mas homens seguem ganhando mais
Apesar de impulsionarem o mercado, a desigualdade salarial persiste: a remuneração média de admissão feminina foi de R$ 2.335,47 frente aos R$ 2.619,55 pagos aos homens. A retração do emprego masculino está diretamente ligada ao encolhimento de setores que tradicionalmente empregam mais homens, como a Construção Civil e a Indústria de Transformação. Em relação à idade, o mercado de trabalho na RMC fechou as portas para os mais velhos em junho. Todas as faixas etárias acima dos 24 anos fecharam o mês no vermelho. A faixa etária de 25 a 39 anos foi a mais atingida (-142 vagas). O saldo positivo da RMC depende inteiramente da entrada de jovens de até 17 anos e de 18 a 24 anos no mercado formal.
Geração de emprego em bares e restaurantes cai em julho
O setor de alimentação fora do lar — bares, restaurantes, lanchonetes, cafés, dentre outros — da Região Metropolitana de Campinas (RMC) criou 66 empregos formais em julho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado representa uma forte desaceleração em relação a junho, quando o segmento criou 430 postos de trabalho. Apesar da redução no ritmo de geração de vagas, o setor mantém uma sequência positiva no mercado de trabalho regional. Julho foi o sexto mês consecutivo em que o número de admissões superou o de demissões na RMC. No mês, foram registradas 3.429 admissões e 3.363 desligamentos.
Hortolândia lidera geração de vagas em julho
Entre as cidades da RMC, Hortolândia apresentou o maior saldo positivo de empregos no setor em julho, com 37 novas vagas. Na sequência aparecem Itatiba, com 22, e Holambra e Indaiatuba, com 15 vagas cada. Também registraram desempenho positivo Artur Nogueira e Valinhos, ambos com saldo de 14 empregos no mês. Campinas registrou o maior saldo negativo, com -43 postos. Também tiveram saldo negativo Americana (-6), Nova Odessa (-6), Pedreira (-6), Monte Mor (-4), Santa Bárbara d’Oeste (-4), Sumaré (-3) e Vinhedo (-3).
Covabra prepara aumento do CD em Sumaré
Com 25 lojas distribuídas em 14 municípios, o Covabra Supermercados vai dobrar a capacidade logística a partir de outubro, quando está prevista a conclusão da ampliação do centro de distribuição instalado em Sumaré, na Região Metropolitana de Campinas (RMC). A expansão também elevará o quadro para aproximadamente 212 colaboradores diretos. O projeto tem como objetivo dar suporte ao plano de crescimento da rede nos próximos anos. A rede varejista prevê a inauguração de duas unidades em 2027.
(Marcelo Oliveira / Especial para o SPASSO Cidades)
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