Politicando: azarões, pedágios e eleição de extremos
Elaine Amaral4 min de leituraBriga de cachorro pequeno?
Na força bruta, o cachorro maior pode levar vantagem sobre o cachorro menor. Mas, enquanto um está no quintal à noite e no frio protegendo a casa contra meliantes, o outro está deitadinho e quentinho no colo da patroa.
Nas eleições para deputado estadual existe uma situação semelhante. Enquanto os três nomes mais expoentes desfrutam da vantagem de serem os big dogs, também sofrem as consequências. Para a plateia, é mais fácil jogar tomate em quem está sob a luz dos holofotes. E quanto mais exposição, mais desgaste.
Dalben, Willian e Virginelli estão há muito tempo sob os holofotes. Enquanto isso trouxe fama e evidência, também trouxe problemas. É numa situação dessas que quem está em menor evidência pode levar mais votos. Campanhas mais enxutas, discurso menos contaminado e uma história mais coerente podem fazer diferença.
Enquanto os outros três caminharam por todas as veredas abertas, com todos os tipos de companhia, os demais puderam se manter mais fiéis aos seus ideais. Não descarte os azarões. Quem canta vitória antes da hora pode se dar mal.
Quem ganhar vai perder
Na eleição proporcional, não é uma questão de quem vai ganhar ou perder, porque pode todo mundo perder. Se um candidato a deputado perder votos para outro candidato, isso não significa que o outro ganhou, mas sim que ambos perderam.
Ninguém em Sumaré vai conseguir apenas na cidade todos os votos necessários para vencer. Terão que buscar votos em outras cidades também. O número excessivo de candidatos na cidade pode tirar votos de quem tem chances reais, e assim Sumaré pode ficar sem nenhum deputado eleito.
É um risco real, levando em consideração que a cidade recebeu dezenas de milhões de emendas parlamentares. Sem deputado, Sumaré pode ficar sem essa boquinha. A realidade é que, independentemente de quem a cidade eleger, o dinheiro tende a vir. Mas, sem eleger ninguém, a torneira seca.
Pedágios mais caros
Tarcísio não dá um dia de paz para os paulistas. Desta vez, é o aumento dos pedágios. Não aumentar os pedágios era promessa de campanha, mas o governador parece apostar que seu eleitor tem memória curta: aumentou mesmo assim.
O estado mais rico do país é incapaz de manter boas rodovias sem arrancar o couro do eleitor. Tarcísio desce o chicote e joga sal na ferida do povo paulista.
Mais uma vez, São Paulo voltou a ter o pedágio mais caro do país, e agora aumentou ainda mais. Mais de R$ 40 em um único pedágio na Imigrantes. R$ 40 para se deslocar dentro do próprio estado. E olha que esse escândalo é o menor dos escândalos de Tarcísio. Capaz de ainda querer ganhar em outubro de novo. É cada uma!
Quanto tempo mais?
O viaduto que ligará o Centro à região de Nova Veneza é uma das novelas mais antigas de Sumaré. Apesar de as obras estarem avançando, as imagens aéreas liberadas pela Prefeitura deixaram claro que a obra está longe de acabar.
A via de acesso para a Avenida da Amizade está sendo asfaltada, e a ponte sobre o Ribeirão Quilombo está quase finalizada. Mas a parte do viaduto sobre a ferrovia até a Mancini ainda parece muito longe de ser concluída.
Obviamente, a Prefeitura tem suas limitações, ainda mais no trecho sobre a ferrovia, e não há muito o que possa ser feito a respeito disso. O problema é que essa é uma promessa muito antiga na cidade, e essa obra começou ainda no governo anterior.
Se esse viaduto está demorando tanto, não adianta esperar antes de 2030 o famigerado hospital, uma promessa ainda mais antiga.
Eleição de extremos
Com a aproximação de outubro, fica claro que essa será mais uma eleição de extremos. As pautas em discussão no Congresso Nacional deixam bem claros os valores que cada lado defende.
O fim da escala 6x1, para dar mais folga ao trabalhador, um lado defende e o outro ataca. A criminalização da misoginia, para proteger as mulheres em um dos países que mais assassina mulheres no mundo, um lado é contra e o outro a favor.
Outros fatores também devem pesar, como os investigados por corrupção. Recentemente, um pastor famoso ligado a esse campo político foi preso acusado de passar informações da polícia para o Comando Vermelho. O discurso, muito utilizado em outras eleições, de que um lado é corrupto e o outro é ilibado caiu por terra.
Esse lado, inclusive, teve diversos líderes presos, outros foragidos e muitos investigados. Depois do fiasco do Banco Master, um dos gurus religiosos desse grupo teve seu banco investigado, e muito provavelmente vai ter o mesmo fim do Master.
Além disso, tem a questão do patriotismo. Um lado está tentando, a todo custo, entregar o Brasil aos Estados Unidos, lutando por mais tarifas, pelo fim do PIX, pela entrega das terras raras e do petróleo brasileiro para os americanos.
Não é sobre um lado ser perfeito e o outro ser maculado. É apenas uma questão de matemática para quem sabe fazer as contas.
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