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Pesquisador da Unicamp é premiado por criar sistema com IA para exames de fezes

O biólogo Felipe Augusto Soares, da Unicamp, desenvolveu uma tecnologia pioneira que automatiza o diagnóstico laboratorial de parasitas intestinais com 94% de sensibilidade. Combinando processamento por microbolhas, microscopia motorizada e inteligência artificial, o sistema foi validado no Hospital Ouro Verde, licenciado para a indústria e venceu o Prêmio Inventores Unicamp.

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O pesquisador Felipe Augusto Soares ao centro segurando placa do Prêmio Inventores Unicamp ao lado de docentes da universidade
O biólogo e pesquisador Felipe Augusto Soares recebe o Prêmio Inventores Unicamp pelo desenvolvimento e licenciamento de sistema automatizado com IA. (Foto: Divulgação / Inova Unicamp)

O biólogo e pesquisador Felipe Augusto Soares, vinculado à Faculdade de Ciências Médicas e ao Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolveu uma tecnologia pioneira que automatiza o diagnóstico laboratorial de parasitas intestinais com 94% de sensibilidade. Combinando processamento de amostras por microbolhas, microscopia motorizada e inteligência artificial, a inovação foi validada com pacientes do Hospital Ouro Verde, licenciada para o mercado e rendeu ao cientista o Prêmio Inventores Unicamp.

A premiação, concedida pela Agência de Inovação Inova Unicamp na categoria "Propriedade Intelectual Licenciada", coroa anos de pesquisa interdisciplinar. A patente do sistema foi transferida para a empresa ImmunoCamp Ciência e Tecnologia S.A., permitindo que o método desenvolvido nos laboratórios acadêmicos chegue à rotina operacional de clínicas e hospitais.

Superação das limitações da microscopia manual

A pesquisa partiu de um gargalo persistente na medicina diagnóstica: embora a tecnologia hospitalar tenha avançado, a identificação de parasitoses intestinais ainda depende fortemente de métodos visuais manuais em microscópio. Esse processo tradicional consome muito tempo dos analistas clínicos e pode apresentar taxas elevadas de falso-negativo quando o paciente possui baixa carga parasitária de helmintos ou protozoários.

O estudo de validação científica, publicado na revista internacional Parasites & Vectors, demonstra que o novo método eleva drasticamente a taxa de detecção precisa, auxiliando o combate a doenças negligenciadas que afetam milhões de pessoas, sobretudo em áreas de maior vulnerabilidade social.

Como funciona a tecnologia: microbolhas e inteligência artificial

A solução integra duas etapas complementares de automação:

  • Flotação por Ar Dissolvido (DAF): Na primeira fase, microbolhas de ar são introduzidas na amostra biológica para separar ovos, larvas e cistos de detritos e resíduos fecais, limpando o campo de observação visual.
  • Sistema DAPI: Em seguida entra em ação o Diagnóstico Automatizado de Parasitas Intestinais, composto por um microscópio óptico motorizado, câmera digital de alta resolução e algoritmos de visão computacional. O software movimenta a lâmina sozinho, fotografa os campos e identifica com precisão espécies como Giardia duodenalis, Ascaris lumbricoides, Schistosoma mansoni e Strongyloides stercoralis.

A automação não substitui o médico patologista ou analista clínico, mas funciona como uma triagem robotizada inteligente: o sistema faz o rastreamento prévio e entrega as ocorrências suspeitas para que o especialista confirme o laudo final com agilidade.

Validação clínica no Hospital Ouro Verde

Para comprovar a eficiência em ambiente real, o estudo foi executado no Laboratório de Ciência de Dados de Imagens (LIDS) da Unicamp utilizando 400 amostras de pacientes atendidos pelo Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Ouro Verde, em Campinas, preservando o sigilo dos prontuários.

O projeto contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), apoio da Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (Afip) e cooperação técnica de cientistas do Instituto Adolfo Lutz. Com a tecnologia licenciada, a expectativa é que o equipamento passe a integrar linhas comerciais de diagnóstico automatizado em todo o país.

(Fonte: Inova Unicamp / Da Redação)

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