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O peso da representação na Alesp: o que Sumaré e Hortolândia ganham e o contraste com Americana

Com mais de R$ 51 milhões em Sumaré e investimentos em Hortolândia, atuação de deputados estaduais expõe a diferença de ter voz direta na Alesp.

5 min de leitura
Deputados estaduais Dirceu Dalben e Ana Perugini na tribuna da Alesp
Os deputados estaduais Dirceu Dalben e Ana Perugini na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp)

Ter representação política não significa apenas ter alguém da região ocupando uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Desde que Dirceu Dalben se tornou o primeiro deputado estadual eleito por Sumaré, em 2018, o município passou a contar com um interlocutor permanente dentro do parlamento paulista e junto ao Palácio dos Bandeirantes. O resultado dessa presença pode ser mensurado tanto em recursos orçamentários quanto em obras estruturantes e serviços públicos que chegaram à cidade.

Mais de R$ 51 milhões em emendas e articulações para Sumaré

Dados levantados na Assembleia Legislativa apontam que, entre 2019 e 2026, mais de R$ 51 milhões em emendas parlamentares de Dalben foram destinados a Sumaré, considerando recursos já pagos e outros em andamento. Somente para 2026, são R$ 2,45 milhões destinados a entidades como APAE e Pró-Memória, à Polícia Militar, à compra de leites, fórmulas nutricionais, suplementos e fraldas, além da aquisição de duas vans e uma ambulância.

O número, porém, conta apenas uma parte da história. Emendas são recursos sobre os quais o parlamentar possui poder direto de indicação. Há ainda investimentos substancialmente maiores conquistados por meio de articulações com as secretarias de Estado, convênios e intervenções junto a concessionárias de serviços públicos. A própria Alesp registra, por exemplo, emenda de R$ 5 milhões reservada por Dalben para as obras do viaduto Centro–Nova Veneza e outros aportes para infraestrutura urbana.

ETEC, Bom Prato, Poupatempo e obras estruturantes

A lista de investimentos associados à atuação política do deputado inclui conquistas estratégicas: a ETEC no Jardim Luiz Cia; a instalação do Restaurante Bom Prato; a unidade do Poupatempo; a nova Estação do Corpo de Bombeiros; a duplicação da Rodovia Adauto Campo Dall'Orto (ligando Sumaré a Paulínia e Hortolândia); a recuperação da Estrada Norma Marson Biondo (ligação com Monte Mor); o viaduto entre o Parque Bandeirantes, em Sumaré, e o Jardim Nova Europa, em Hortolândia; além de três viadutos sobre a ferrovia — dois na região central e um no Picerno.

Nem tudo saiu diretamente do orçamento do Estado ou de emendas parlamentares. Os três viadutos ferroviários, por exemplo, são de responsabilidade da concessionária Rumo e surgiram no contexto da renovação da concessão da Malha Paulista, processo no qual Dalben participou ativamente das articulações institucionais. A distinção é fundamental: representação parlamentar não se resume a apresentar emendas orçamentárias, mas envolve abrir portas, apresentar demandas com respaldo político e pressionar as instâncias decisórias para que os projetos saiam do papel.

A implantação da ETEC é outro exemplo claro. A retomada do projeto passou por sucessivas reuniões com o Governo do Estado e com a direção do Centro Paula Souza. Já em 2019, o deputado articulava recursos para a unidade; em 2020, o Estado anunciou R$ 20 milhões em financiamento e a construção avançou como investimento público estadual. O Poupatempo seguiu trajetória semelhante: Dalben formalizou a solicitação em agosto de 2019 e, no ano seguinte, Sumaré foi contemplada.

Hortolândia e a presença histórica de Ana Perugini

Sumaré não é o único exemplo regional desse efeito prático. Hortolândia também mantém representação direta na Alesp por meio da deputada estadual Ana Perugini (PT). Conforme levantamento divulgado pela própria parlamentar ao completar duas décadas de atividade pública em 2025, aproximadamente R$ 30 milhões em investimentos estaduais e federais foram canalizados para o município por meio de sua interlocução.

Entre as obras e instituições associadas ao trabalho parlamentar de Ana Perugini estão o Instituto Federal, o Hospital Municipal Mário Covas, três UPAs, o Caism, a sede do Fórum, a duplicação da rodovia SP-101, passarelas, novas escolas, unidades de saúde e obras de recapeamento asfáltico. Na educação tecnológica, a deputada já havia apresentado, em 2007, projeto de lei para a instalação de uma unidade da Fatec na cidade.

Os cenários de Sumaré e Hortolândia evidenciam a vantagem concreta da representação regional: parlamentares com base local mantêm as demandas de seus municípios permanentemente na pauta do governo estadual, embora a execução dependa da cooperação entre Executivo, prefeituras e concessionárias.

O contraponto de Americana e a disputa por investimentos

O contraste na Região Metropolitana de Campinas (RMC) surge em Americana. O município já vivenciou períodos de forte representação política tanto na Alesp quanto no Congresso Nacional, ocupando espaços de destaque nas decisões legislativas. Atualmente, sem um deputado estadual com domicílio eleitoral e base política exclusivamente americanense, a cidade depende em maior medida da atenção de parlamentares de outras localidades.

Isso não significa ausência total de verbas: o próprio Dirceu Dalben já destinou emendas ao município, incluindo repasses de cerca de R$ 800 mil para saúde, assistência social e infraestrutura urbana. A diferença reside na falta de um representante cujo compromisso primário e diário de cobrança seja com a própria cidade. Para um município do porte econômico e populacional de Americana, essa lacuna explica por que o debate sobre a necessidade de eleger representantes locais voltou ao centro das discussões regionais.

Sumaré percorreu a trajetória inversa: consolidou voz própria no parlamento estadual nos últimos oito anos e viu desembarcar mais de R$ 51 milhões apenas em emendas parlamentares, somados a aportes e intervenções estruturantes que transformaram a mobilidade urbana e o acesso a serviços públicos. Equipamentos como Bom Prato, Poupatempo, ETEC e novos viadutos demonstram, na prática, o diferencial de uma cidade manter presença ativa na Assembleia Legislativa.

(Da Redação)

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