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Após anos restrita a Hortolândia, esquerda tenta expandir presença regional na Alesp

Com candidaturas fortes em Hortolândia, Sumaré, Americana e Santa Bárbara, esquerda aposta em nomes com mandato para furar o isolamento regional.

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Após anos restrita a Hortolândia, esquerda tenta expandir presença regional na Alesp

Historicamente, o interior paulista sempre se configurou como um território desafiador para a esquerda. Mesmo antes dos desdobramentos da Operação Lava Jato e dos períodos de maior desgaste partidário, legendas do campo progressista enfrentavam forte resistência para fincar raízes e construir mandatos legislativos de peso na maior parte dos municípios da região.

Ao longo das últimas décadas, essa presença tornou-se ainda mais enxuta e concentrada. Hortolândia permaneceu como a principal e quase única fortaleza eleitoral da esquerda na região metropolitana, um reduto construído historicamente em torno da liderança do ex-prefeito Angelo Perugini e, nos últimos anos, sustentado pela deputada estadual Ana Perugini (PT).

Nas eleições deste ano, porém, o cenário se desenha com uma dinâmica diferente. Em vez de uma candidatura isolada, a Federação Brasil da Esperança (formada por PT, PV e PCdoB) entra na corrida pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com quatro nomes que reúnem mandatos eletivos vigentes e bases municipais próprias: Ana Perugini (Hortolândia), Professora Juliana (Americana), Esther Moraes (Santa Bárbara d'Oeste) e Willian Souza (Sumaré).

Candidaturas com base própria e mandatos

A mais experiente do quarteto é Ana Perugini. Ex-vereadora, ex-deputada federal e atual deputada estadual, ela retornou à Alesp em 2022 com 78.932 votos. Em Hortolândia, sua base principal, somou 36.227 votos, sendo com folga a candidata mais votada do município. Agora, Ana atua pela renovação da cadeira já conquistada.

Os outros três concorrentes representam a tentativa de transformar lideranças municipais em bancadas estaduais:

  • Professora Juliana (PT - Americana): Já experimentou a disputa estadual em 2022, alcançando a suplência com 12.126 votos no Estado (dos quais 5.745 saíram de Americana). Em 2024, reelegeu-se para a Câmara de Americana com 2.427 votos, mantendo seu nome em evidência regional.
  • Esther Moraes (PV - Santa Bárbara d'Oeste): Eleita vereadora em 2020 com 1.672 votos, dobrou sua votação em 2024 ao conquistar 3.355 votos, consagrando-se como a candidata a vereadora mais votada de Santa Bárbara entre quase 300 concorrentes. Aos 27 anos, tenta capitalizar essa projeção em uma vaga na Alesp.
  • Willian Souza (PT - Sumaré): Mantém uma trajetória eleitoral de forte tração popular em Sumaré. Foi eleito vereador em 2016 com 3.438 votos, tornou-se o mais votado da cidade em 2020 com 4.477 e, em 2024, disputou a Prefeitura, chegou ao segundo turno e atingiu expressivos 51.668 votos (41,78% dos válidos).

Capilaridade regional e a matemática proporcional

A composição das quatro candidaturas espalha o debate político por diferentes polos da região. Além da força concentrada em seus municípios de origem, há sinais de capilaridade além das fronteiras locais: em 2022, a Professora Juliana somou, além dos votos de Americana, 1.531 votos em Santa Bárbara d'Oeste e outros 508 em Nova Odessa.

Apesar da densidade eleitoral dos candidatos, o desfecho depende diretamente das regras da eleição proporcional. Na disputa por uma das 94 cadeiras da Alesp — que reúne mais de 1.400 concorrentes —, a eleição é definida pelo quociente eleitoral e pela soma total dos votos de cada legenda e federação.

Para a esquerda regional, a eleição deste ano representa um divisor de águas: testará se o capital político continuará confinado a Hortolândia ou se terá fôlego para furar o isolamento histórico e fincar raízes mais amplas no interior paulista.

(Da Redação)

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