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O perigo dos votos em celebridades: como o quociente eleitoral puxa quem você não escolheu

A psicopedagoga Clélia Corazzari analisa o fenômeno dos puxadores de votos, a armadilha do quociente eleitoral e por que o Parlamento não é palco para celebridades.

3 min de leitura
O perigo dos votos em celebridades: como o quociente eleitoral puxa quem você não escolheu
Clélia de Cassia Corazzari, psicopedagoga e especialista em Língua Portuguesa

Estamos em pleno ano eleitoral e um fenômeno preocupante vem se repetindo há tempos na política brasileira: o chamado "efeito Tiririca" — ou o fenômeno dos puxadores de votos. Trata-se de uma estratégia partidária puramente calculada para atingir o quociente eleitoral e garantir vagas no Legislativo por meio de influenciadores, cantores e celebridades.

Diante disso, precisamos nos questionar: vale a pena eleger alguém para nos representar por quatro — ou até oito anos, no caso do Senado — apenas pela sua popularidade momentânea? Em qualquer área profissional séria, exige-se capacitação técnica, conduta idônea e experiência prática antes de se ocupar um cargo de alta responsabilidade. Por que, então, a política seria uma exceção?

A armadilha matemática do quociente eleitoral

O grande perigo está na matemática da votação proporcional. Quando alguém vota em uma celebridade, não está elegendo apenas aquela figura pública: as sobras dos votos vão para a legenda e servem para puxar outros candidatos da lista que o eleitor muitas vezes nem conhece — e que talvez jamais fossem eleitos por mérito próprio.

No fim das contas, o voto que era para ser uma brincadeira ou uma manifestação de protesto acaba ajudando a colocar políticos de carreira e velhas raposas de volta ao poder, amarrando o cidadão a uma escolha que ele sequer sabe que fez.

Parlamento exige preparo e fiscalização

O mandato parlamentar exige analisar orçamentos bilionários, debater legislações complexas e fiscalizar a aplicação dos impostos pagos pela população. Colocar alguém sem o mínimo preparo nessas cadeiras é travar debates fundamentais sobre saúde, educação e segurança pública. O Parlamento não é palco para ganhar curtidas ou gravar dancinhas: é um espaço de extrema responsabilidade institucional que afeta diretamente o cotidiano das famílias.

Foi-se o tempo em que se dizia que "política não se discute". Discute-se, sim. Não podemos nos deixar seduzir por falácias, piadas ou pelo carisma superficial de quem busca o voto apenas por ter um hit viral ou milhões de seguidores nas redes. Mais do que um ato cívico, o voto é a oportunidade concreta de dar voz a quem verdadeiramente possui preparo, dignidade e compromisso ético com o bem comum.

Clélia de Cassia Corazzari
Psicopedagoga e graduada em Língua Portuguesa

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade da autora e não representam necessariamente a posição editorial do SPASSO Cidades.

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