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Nova Odessa consolida UTI e expõe desafio de Sumaré por hospital municipal

3 min de leitura
Fachada da UTI Municipal de Nova Odessa
UTI do Hospital e Maternidade Municipal de Nova Odessa completou dois anos em julho de 2026

Os resultados alcançados pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade Municipal de Nova Odessa reacendem um debate antigo em Sumaré: por que uma cidade com mais de 291 mil habitantes continua sem um hospital municipal em funcionamento?

Dois anos após a implantação da UTI, Nova Odessa registra 468 pacientes atendidos e 320 altas hospitalares, segundo a Prefeitura. A taxa de mortalidade caiu de 18,4% em 2024 para 15,3% no primeiro semestre de 2026. Os números mostram que a estrutura ampliou a capacidade de atendimento intensivo no próprio município e reduziu a dependência de transferências para outras cidades.

Embora Nova Odessa tenha população estimada em cerca de 65 mil habitantes — pouco mais de um quinto dos 291 mil estimados para Sumaré —, mantém um Hospital e Maternidade Municipal equipado com UTI própria, permitindo que casos graves sejam tratados dentro do próprio município.

A realidade sumareense é bastante diferente. O fechamento do Hospital Conceição Imaculada, mantido pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia e submetido a intervenção estadual nos anos 1990, marcou negativamente a história recente da cidade. Desde o encerramento das atividades da unidade, Sumaré permanece sem um hospital municipal.

Desde então, a assistência hospitalar do município passou a depender principalmente das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que exercem papel fundamental no atendimento de urgência e emergência, mas não possuem estrutura para internações prolongadas, procedimentos de alta complexidade ou terapia intensiva.

Quando um paciente necessita de atendimento hospitalar especializado, a principal referência é o Hospital Estadual de Sumaré. Reconhecido nacionalmente pela qualidade dos serviços prestados, o hospital é um patrimônio da saúde pública paulista. No entanto, trata-se de uma unidade estadual, responsável por atender pacientes de diversos municípios da região, o que naturalmente limita sua capacidade de absorver toda a demanda de Sumaré.

Essa dependência faz com que muitos pacientes aguardem vagas, transferências e regulação para conseguir atendimento compatível com a gravidade de seus quadros clínicos. Enquanto isso, municípios menores conseguem oferecer parte significativa desses serviços dentro de sua própria rede.

Ao longo dos últimos anos, a construção de um hospital municipal tornou-se presença constante em campanhas eleitorais. Diferentes prefeitos e candidatos defenderam o projeto como prioridade para a cidade. Em 2026, a Prefeitura publicou o Chamamento Público nº 001/2026 para prospectar imóveis e viabilizar uma possível locação no modelo built to suit. A abertura, marcada para 27 de abril, foi suspensa por prazo indeterminado em 24 de abril para ajustes técnicos. Até 17 de julho, a reportagem não localizou nova data oficial para a retomada do processo nem cronograma para o início do atendimento.

Os avanços registrados em Nova Odessa demonstram que investir em uma estrutura hospitalar própria não representa apenas ampliação física da rede, mas também autonomia na gestão da saúde pública. A existência de leitos de internação, maternidade e UTI permite reduzir deslocamentos, agilizar tratamentos e oferecer respostas mais rápidas em situações críticas.

Naturalmente, a realidade financeira dos municípios é diferente e a implantação de um hospital exige investimentos elevados, custeio permanente e planejamento técnico. Ainda assim, a comparação entre as duas cidades inevitavelmente alimenta um questionamento: se um município significativamente menor conseguiu estruturar um hospital com maternidade e unidade de terapia intensiva, por que Sumaré, uma das maiores cidades da Região Metropolitana de Campinas, continua sem oferecer esse serviço à sua população?

Enquanto o projeto não se converte em atendimento efetivo, o hospital municipal permanece como uma das maiores lacunas da saúde pública sumareense, uma necessidade reconhecida há anos e ainda distante da realidade dos moradores.

Fonte: Da redação

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