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Maria Irene transforma perda familiar em 25 anos de acolhimento na Casa Apoio do HES em Sumaré

Homenageada pelo Legislativo, fundadora da entidade acolhe familiares de internados desde 2001 e já ultrapassou 50 mil atendimentos mantidos por doações.

5 min de leitura
Maria Irene Garcia De Nadai e voluntários da Casa Apoio recebem homenagem na Câmara de Sumaré

O ponto de partida de uma história de solidariedade

Uma noite fria, um homem idoso procurando abrigo e uma família atravessando um dos momentos mais difíceis da vida foram o ponto de partida para uma história que já dura 25 anos em Sumaré. Maria Irene Garcia De Nadai, fundadora da Casa Apoio do Hospital Estadual de Sumaré (HES), foi homenageada nesta semana pela trajetória à frente da instituição que nasceu para acolher familiares de pacientes e, ao longo de duas décadas e meia, ampliou sua atuação para uma série de projetos de assistência e solidariedade.

A homenagem ocorreu na Câmara Municipal de Sumaré, durante a sessão de terça-feira (15), quando foi aprovada uma moção de congratulação pelos 25 anos do Grupo de Voluntários Viva Feliz – Instituição Sr. Antônio Garcia, responsável pela Casa Apoio. Mais do que o ato realizado pelo Legislativo, porém, a data chama a atenção para a trajetória de Maria Irene e para uma iniciativa que nasceu de uma experiência pessoal e se transformou em uma rede de acolhimento que já alcançou milhares de pessoas.

Maria Irene nasceu em Presidente Bernardes, no interior paulista, em 1947. Formou-se inicialmente no Curso Normal de Formação de Professores Primários, graduou-se em Letras pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), fez mestrado em Linguística e posteriormente formou-se em Pedagogia, com habilitação em Administração e Supervisão Escolar, pelo Unisal, em Americana. Mudou-se com a família para Sumaré após se casar com José Roberto de Nadai, em 1968, e construiu parte de sua trajetória profissional na educação.

Foi, entretanto, uma experiência vivida dentro do Hospital Estadual de Sumaré que mudou o rumo de sua atuação social.

A experiência no hospital e o nascimento da Casa Apoio

Em 2001, o pai de Maria Irene, Antônio Garcia, então com 92 anos, foi internado no HES após sofrer uma isquemia cerebral. Durante o período em que acompanhava a internação, ela passou dias e noites no hospital e começou a observar uma realidade que ultrapassava a situação de sua própria família: acompanhantes de pacientes que vinham de outras cidades e não tinham dinheiro ou lugar onde dormir.

Uma cena em particular permaneceu em sua memória. Em uma noite apontada à época como uma das mais frias do ano, Maria Irene viu da janela um homem idoso sair do hospital à procura de algum lugar para passar a noite. Ele havia vindo de Lorena acompanhando a filha doente e terminou procurando abrigo sob a marquise de um estabelecimento. Maria Irene conseguiu um cobertor e café e buscou autorização para que ele pudesse permanecer no hospital naquela noite.

O gesto resolveu o problema imediato daquele homem, mas não o problema que Maria Irene havia acabado de enxergar.

Seu pai morreu dias depois. Cerca de uma semana após a perda, ela retornou ao hospital para conversar sobre uma forma de ajudar os acompanhantes. Em aproximadamente dez dias, segundo registro histórico publicado pelo próprio HES, um grupo de sete voluntários estava formado. Nascia a Casa de Apoio Viva Feliz – Instituição Antônio Garcia, batizada em homenagem ao pai de Maria Irene.

O projeto começou modestamente. Os primeiros espaços funcionaram em pequenas casas alugadas próximas ao hospital. Uma reportagem histórica do Jornal da Unicamp, publicada ainda em 2002, mostra que a atuação dos voluntários já se estendia além da hospedagem: havia atividades para pacientes e familiares, oficinas, bazares e mobilização para conseguir muletas, cadeiras de rodas, cestas básicas e medicamentos que não estavam disponíveis na rede pública. Naquele momento, o grupo já reunia centenas de voluntários e buscava recursos para construir uma sede própria.

Mais de 50 mil atendimentos mantidos por doações

A dimensão alcançada pelo trabalho pode ser medida pelos números. Levantamento publicado em 2025 apontava que a Casa Apoio já havia ultrapassado a marca de 50 mil atendimentos e servido quase 614 mil refeições. A estrutura contava com 24 leitos, inclusive berços, destinados principalmente a familiares de pacientes em situação de vulnerabilidade submetidos a internações e cirurgias prolongadas no HES. O acolhimento chegou a pessoas de diferentes cidades da região, outros estados e até de países como Haiti e Angola.

O trabalho também cresceu para além da hospedagem. O projeto Nana Nenê já havia distribuído mais de 51,5 mil kits de roupas para recém-nascidos de famílias carentes. O Mamas Com Carinho produz próteses mamárias externas de crochê destinadas a mulheres mastectomizadas, enquanto o Projeto Octos confecciona pequenos polvos de crochê entregues a bebês prematuros da UTI Neonatal. Durante a pandemia de Covid-19, a Casa Apoio também recebeu profissionais do próprio Hospital Estadual que precisavam permanecer afastados de suas famílias durante os períodos de quarentena.

Tudo isso é mantido sem repasses públicos regulares, segundo informações divulgadas pela instituição. A manutenção depende de doações, parcerias, bazares, barracas de alimentos e outras ações beneficentes. A Casa também recebe alimentos, roupas, cobertores, brinquedos, móveis, medicamentos e equipamentos médicos e ortopédicos.

Nesta terça-feira, 25 anos depois, Maria Irene esteve no plenário da Câmara acompanhada dos voluntários Vagner e Neusa Rikato para receber a homenagem destinada à Casa Apoio. Diante dos vereadores, falou sobre a dificuldade de manter uma instituição como aquela funcionando durante um quarto de século e sobre aquilo que considera ser a essência do trabalho desenvolvido desde 2001.

Serviço

Casa de Apoio Viva Feliz – Instituição Antônio Garcia (Casa Apoio HES)

Atuação: Acolhimento e hospedagem gratuita a acompanhantes de pacientes internados no Hospital Estadual de Sumaré, confecção de kits para recém-nascidos e empréstimo de itens ortopédicos.
Como colaborar: A entidade recebe doações contínuas de alimentos, agasalhos, fraldas e produtos de higiene em sua sede em Sumaré, mantida exclusivamente por voluntários e iniciativas beneficentes.

(Da Redação)

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