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De Monte Mor a Sumaré: como a terceira via e a eleição de 2026 desenham o tabuleiro para 2028

Movimentações em Monte Mor, Nova Odessa, Hortolândia e Sumaré mostram como a busca por alternativas e a disputa de 2026 preparam o cenário sucessório regional.

7 min de leitura
Urna eletrônica durante votação oficial em eleição no Brasil

O precedente de Monte Mor e a busca por alternativas

Ainda faltam dois anos para as eleições municipais de 2028, mas os movimentos de sucessão já começaram a aparecer nas principais cidades da região. Em Monte Mor, Nova Odessa, Hortolândia e Sumaré, grupos políticos tradicionais começam a posicionar seus nomes, enquanto possíveis candidaturas alternativas tentam encontrar espaço entre forças que já governaram ou atualmente controlam as prefeituras. O fenômeno não é novo, mas a eleição de Monte Mor em 2024 mostrou de maneira bastante clara como uma disputa inicialmente organizada entre grupos conhecidos pode terminar com o eleitor escolhendo uma alternativa.

Naquela eleição, os montemorenses tiveram três opções. De um lado estava Edivaldo Brischi (PSD), então prefeito e candidato à reeleição. Do outro, Thiago Assis (PSB), ex-prefeito que tentava retornar ao comando da cidade. A terceira candidatura era a de Murilo Rinaldo (PP), que nunca havia ocupado a Prefeitura. O resultado foi uma ruptura com os dois caminhos anteriores: Rinaldo recebeu 14.970 votos, 46,39% dos válidos, contra 9.057 de Brischi, 28,07%, e 8.244 de Thiago, 25,55%.

A eleição de Monte Mor demonstrou uma característica importante de disputas com três forças competitivas. Como o município não possui segundo turno, não é necessário que um candidato alcance mais de 50% dos votos válidos. Rinaldo venceu com menos da metade dos votos, enquanto os dois adversários que representavam administrações anteriores somaram, juntos, pouco mais de 53%. Isso não permite concluir quais eram individualmente as motivações de cada eleitor, mas mostra numericamente que uma candidatura fora dos dois grupos que haviam comandado recentemente o município conseguiu construir espaço próprio e vencer.

Quatro anos depois, Monte Mor poderá novamente apresentar um tabuleiro fragmentado. Rinaldo chegou ao governo associado a um discurso de renovação, mas a avaliação de sua administração e a capacidade de manter a coalizão que o levou à Prefeitura ainda serão colocadas à prova até 2028. Ao mesmo tempo, movimentações dentro da Câmara indicam a existência de vereadores buscando ocupar um campo político distinto dos grupos que tradicionalmente disputaram o Executivo. Pelo menos dois parlamentares aparecem nas articulações locais como possíveis protagonistas desse espaço. Como ainda não existem candidaturas formalizadas, os nomes não serão antecipados neste momento.

Nova Odessa e Hortolândia: polarização e bastidores sucessórios

O caso montemorense interessa particularmente porque algo semelhante começa a ser desenhado em Nova Odessa. Ali, a eleição passada colocou frente a frente dois grupos conhecidos. Cláudio José Schooder, o Leitinho (PSD), venceu a reeleição e atualmente governa ao lado do vice Alessandro Miranda, o Mineirinho (PSD). Leitinho já indicou publicamente Mineirinho como seu nome para a sucessão de 2028, antecipando uma transição dentro do próprio grupo governista.

No campo adversário permanece a influência do ex-prefeito Bill Vieira de Souza. A movimentação eleitoral de 2026 dá uma primeira indicação de como esse grupo pretende reorganizar-se: Andréa Souza, esposa do ex-prefeito, disputa uma vaga de deputada estadual, e veículos locais tratam o resultado dela em Nova Odessa como um teste para a força política do grupo liderado por Bill.

Se essas duas estruturas chegarem a 2028 representadas por Mineirinho e por um nome ligado a Bill, Nova Odessa poderá reencontrar, com personagens parcialmente diferentes, a rivalidade entre os dois campos políticos que já se enfrentaram nas urnas. É justamente nesse espaço que uma terceira candidatura pode tentar se apresentar como alternativa aos dois grupos.

Não há, até agora, um nome consolidado que possa ser apontado como representante dessa eventual terceira via. Também seria prematuro medir sua dimensão eleitoral antes mesmo da definição das candidaturas. O que existe é um cenário politicamente aberto: o próprio debate sucessório começou muito antes de 2028, enquanto diferentes setores da oposição buscam posicionamento. Reportagem recente sobre as eleições estaduais, por exemplo, apontou que antigos aliados do grupo de Bill estão hoje distribuídos entre diferentes candidaturas, sinal de que a oposição novaodessense não constitui atualmente um bloco único.

Hortolândia apresenta uma situação diferente. A cidade possui uma estrutura política marcada pela continuidade do grupo construído a partir das administrações de Angelo Perugini e posteriormente mantido por Zezé Gomes. Cafu César ocupa atualmente a Vice-Prefeitura e também exerce a função de secretário de Governo, participando diretamente da administração. Ana Perugini, por sua vez, é deputada estadual e permanece presente na política municipal e em agendas do governo.

Nos bastidores, porém, os dois nomes são associados às discussões sobre a sucessão municipal. Caso ambos mantenham pretensões para 2028, o desafio do grupo será administrar internamente interesses que podem convergir para o mesmo cargo. Uma disputa aberta entre antigas forças aliadas poderia reorganizar as alianças locais e criar espaço político para outros grupos apresentarem candidatura própria.

Isso não significa que uma ruptura acontecerá ou que uma eventual terceira candidatura se beneficiará automaticamente dela. Até 2028, acordos podem ser construídos, candidaturas podem ser retiradas e alianças hoje improváveis podem surgir. Mas a experiência regional mostra que divisões internas em grupos dominantes frequentemente alteram a configuração das eleições municipais.

Sumaré e o teste das urnas em 2026

Sumaré talvez apresente o cenário mais complexo.

Hoje existem pelo menos três estruturas políticas com capacidade demonstrada de organização eleitoral. O prefeito Henrique do Paraíso (Republicanos) poderá disputar a reeleição em 2028. O grupo Dalben permanece como uma das principais forças políticas do município, enquanto Willian Souza (PT), que disputou a Prefeitura em 2024, mantém projeto próprio.

Neste caso, entretanto, classificar simplesmente um dos três como “terceira via” pode esconder uma característica importante da política sumareense: todos possuem bases próprias. Henrique controla atualmente a Prefeitura; os Dalben acumulam décadas de presença eleitoral no município; e Willian construiu uma votação municipal relevante na eleição passada. Diferentemente de uma terceira candidatura ainda procurando identidade, são campos políticos já estabelecidos.

Por isso, a primeira medição objetiva dessa correlação de forças ocorrerá antes de 2028: nas urnas de outubro de 2026.

Dirceu Dalben (PSD) está registrado como candidato a deputado estadual, cargo para o qual já foi eleito em 2018 e 2022. Willian Souza também disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa, pelo PT. No campo governista, o grupo de Henrique do Paraíso trabalha pela candidatura estadual de Rafael Virginelli, nome que passou pela Secretaria Municipal de Saúde e pela chefia de gabinete e foi lançado pelo MDB para a disputa deste ano.

A comparação dos resultados municipais desses candidatos em outubro poderá oferecer um retrato concreto da capacidade de mobilização de cada grupo dentro de Sumaré. Evidentemente, eleição para deputado estadual e eleição para prefeito são disputas diferentes: possuem número muito maior de candidatos, estratégias distintas e outras variáveis partidárias. O resultado de 2026, portanto, não determina o que acontecerá em 2028. Ainda assim, permitirá observar onde cada grupo concentra votos, qual capacidade possui de mobilizar seu eleitorado e como chegam à metade do atual mandato municipal.

“Terceira via”, portanto, não significa necessariamente um candidato novo ou sem trajetória política. No contexto municipal, é principalmente o espaço ocupado por quem consegue se apresentar fora da polarização predominante e reunir eleitores que não se identificam com nenhum dos dois polos.

Monte Mor mostrou que esse espaço pode existir. Se ele será novamente ocupado, ali ou nas cidades vizinhas, é uma questão que as articulações dos próximos dois anos começarão a responder.

Cenário Político Regional

Monte Mor: Modelo de terceira via vitorioso em 2024 com Murilo Rinaldo; novas forças na Câmara articulam protagonismo para 2028.
Nova Odessa: Disputa entre a gestão Leitinho/Mineirinho e o bloco do ex-prefeito Bill abre margem para alternativas eleitorais.
Hortolândia: Bastidores entre Cafu César e a deputada estadual Ana Perugini balizam o futuro da base peruginista.
Sumaré: Três forças consolidadas (Henrique do Paraíso, grupo Dalben e Willian Souza) medem densidade de votos nas eleições proporcionais de 2026.

(Da Redação)

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