Hospitais da região de Campinas adotam estruturas cirúrgicas especializadas

Hospitais da região de Campinas vêm mudando a forma de organizar suas equipes cirúrgicas, com a contratação de estruturas especializadas para garantir cobertura contínua de urgência, emergência e cirurgias eletivas.
Segundo levantamento do Grupo Surgical, entre 2013 e 2025 o volume anual de cirurgias realizadas pela equipe passou de cerca de 400 para 8.438 procedimentos. Ao longo de 12 anos, foram contabilizadas mais de 42 mil cirurgias e 222 mil consultas ambulatoriais.
Nesse formato, estruturas médicas especializadas assumem a cobertura assistencial e a gestão operacional de determinadas linhas cirúrgicas. Na prática, essas equipes ficam responsáveis por escalas médicas, plantões, protocolos assistenciais, utilização de recursos e realização dos procedimentos.
“Uma das grandes dificuldades dos hospitais atualmente é contratar médicos especialistas, já que temos uma defasagem no número de vagas de residência. Essa dificuldade, muitas vezes, deixa áreas descobertas ou atendidas por profissionais sem treinamento estruturado voltado à cirurgia de urgência e emergência”, afirma Rafael Ruano, vice-presidente do Grupo Surgical.
O levantamento também cita reflexos operacionais e financeiros para os hospitais, como desperdício de materiais, solicitação excessiva de exames e prolongamento de internações. "O cenário ideal é oferecer o melhor atendimento com o menor custo. É isso que os hospitais buscam nesse modelo de atendimento. Por isso, é importante que o serviço médico seja acompanhado de gestão. Temos casos de hospitais que, em cinco meses, conseguiram registrar um aumento de 30% da eficiência e uma redução de 10% nos custos", exemplifica Ruano.
Embora os dados representem a realidade de um único grupo, o material informa que eles abrangem mais de 20 hospitais distribuídos em cidades do interior paulista e também em Belém, no Pará.
“Fomos evoluindo de acordo com as necessidades dos serviços hospitalares”, explica o presidente do Grupo Surgical, Bruno Pereira. “Durante muitos anos, a cirurgia hospitalar funcionou em um modelo mais fragmentado, baseado em profissionais independentes e equipes descentralizadas. Com o aumento da complexidade hospitalar, necessidade de cobertura contínua e exigência de maior integração assistencial, os hospitais passaram a buscar estruturas cirúrgicas organizadas, com cobertura permanente, protocolos assistenciais e integração multiprofissional”, afirma.
O grupo informa que começou com cinco médicos em um único hospital de Campinas e hoje conta com cerca de 70 médicos atuando em 17 áreas, entre elas cirurgia geral, trauma, cirurgia torácica, vascular, cabeça e pescoço, plástica, urologia e otorrinolaringologia.
Entre os hospitais com maior volume cirúrgico acumulado no histórico analisado estão Beneficência Portuguesa de Campinas, Hospital Santa Tereza e Hospital e Maternidade Galileo.
Entre os procedimentos mais realizados ao longo da série histórica aparecem colecistectomias abertas e videolaparoscópicas, com 7.526 casos, hérnias de parede abdominal, com 6.617 procedimentos, e apendicectomias videolaparoscópicas, com 3.993 cirurgias realizadas.
Segundo Pereira, a consolidação do modelo exige treinamento contínuo, padronização assistencial e atualização permanente das equipes, especialmente em áreas de alta complexidade e urgência.
“A contratação de estruturas cirúrgicas especializadas não substitui a verticalização. Na prática, funciona como uma complementação operacional para garantir cobertura assistencial e organização das linhas cirúrgicas”, finaliza Pereira.
Fonte: Capovilla Comunicação.




