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Hortolândia endurece contra Sabesp e ameaça romper contrato após crise hídrica

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Hortolândia endurece contra Sabesp e ameaça romper contrato após crise hídrica

Hortolândia elevou o tom contra a Sabesp após três semanas consecutivas de relatos de água com odor de mofo, gosto alterado e coloração fora do padrão em bairros da cidade.

A Prefeitura ameaça romper o contrato com a concessionária caso uma solução definitiva não seja apresentada de forma imediata.

Em coletiva realizada nesta semana, o prefeito Zezé Gomes afirmou que a administração esgotou as tentativas de diálogo e passou a cobrar a normalização imediata do abastecimento, transparência técnica e compensação financeira para a população afetada.

“Não dá mais para ficar esperando. Precisamos de providências para já. A água fornecida para nossa população precisa ter qualidade.”

Zezé Gomes, prefeito de Hortolândia

A crise começou na segunda quinzena de abril, quando moradores de bairros como Jardim Amanda, Jardim Boa Vista, Nova Europa e outras regiões passaram a denunciar forte odor e gosto de mofo na água que chegava às torneiras. Em muitos casos, consumidores relataram que precisaram comprar água mineral para cozinhar, tomar banho ou até escovar os dentes.

Mesmo após a Sabesp anunciar força-tarefa, aplicação de carvão ativado no tratamento e visitas técnicas à Estação de Tratamento de Água, os relatos continuaram. A empresa atribuiu o problema ao baixo fluxo do Rio Jaguari, que teria elevado a concentração de compostos naturais no manancial, mas a explicação não convenceu moradores nem a Prefeitura.

A gestão municipal criou um Comitê Municipal de Crise, e o Procon de Hortolândia notificou formalmente a Sabesp, exigindo laudos técnicos completos, relatórios de monitoramento, número de reclamações registradas e medidas compensatórias à população. Entre as principais exigências do município está a isenção total da tarifa de água referente ao mês de abril para todos os consumidores da cidade.

A Sabesp informou que pretende analisar possíveis compensações caso a caso, posição rejeitada pela administração municipal.

“A cidade inteira foi afetada. Não faz sentido analisar consumidor por consumidor quando o problema foi coletivo.”

Governo municipal de Hortolândia

Nesta terça-feira (5), integrantes do Comitê Municipal de Crise estiveram em São Paulo em reunião com representantes da Sabesp, da Arsesp, da Cetesb e da Defesa Civil Estadual. Segundo o secretário municipal de Serviços Urbanos, Vicente Andreu, o encontro terminou sem respostas concretas.

“Ainda não nos foram apresentadas soluções definitivas. Detectamos demora no acesso aos relatórios e falta de respostas técnicas conclusivas. Desde o dia 22 de abril estamos cobrando providências e a população continua sofrendo.”

Vicente Andreu, secretário municipal de Serviços Urbanos

Zezé Gomes também relacionou o agravamento da situação ao novo modelo de gestão da companhia.

“A Sabesp investiu em coleta de esgoto, mas há anos não vemos investimentos consistentes em captação e distribuição de água em Hortolândia. Depois da privatização, isso piorou.”

Zezé Gomes, prefeito de Hortolândia

Embora o contrato esteja sob gestão estadual e qualquer rompimento dependa de tramitação junto ao Governo do Estado, a declaração do prefeito amplia a pressão sobre a concessionária e sobre o Palácio dos Bandeirantes. Enquanto Estado, Prefeitura e Sabesp trocam cobranças, moradores de Hortolândia seguem convivendo com incerteza e desconfiança sobre a qualidade da água.

Fonte: Da redação.

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