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Eleições 2026: pulverização de votos ameaça representação de Sumaré e da região na Alesp

Com 730 mil eleitores na RPT e apenas dois deputados estaduais, divisão de votos entre candidaturas locais coloca em risco presença do polo regional na Alesp.

3 min de leitura
Deputados estaduais Dirceu Dalben e Ana Perugini
Os atuais deputados estaduais Dirceu Dalben (PSD), de Sumaré, e Ana Perugini (PT), de Hortolândia, únicos representantes diretos da região na Alesp.

A Região do Polo Têxtil chega às eleições de 2026 com uma força eleitoral que não se traduz na mesma proporção em representação política. Americana, Sumaré, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Paulínia somam cerca de 730 mil eleitores, mas atravessaram a atual legislatura sem deputado federal diretamente ligado à região e com apenas dois estaduais: Dirceu Dalben (PSD), de Sumaré, e Ana Perugini (PT), de Hortolândia.

A força de 730 mil eleitores e o vácuo na representação

Para Sumaré, a situação merece atenção especial. Dirceu Dalben é atualmente o único deputado estadual diretamente ligado ao município e busca mais um mandato. Em 2022, foi reeleito com 93.397 votos. Independentemente da preferência partidária, sua presença na Assembleia garante à cidade um representante cuja principal base política está na própria região e que, portanto, conhece diretamente suas demandas e depende eleitoralmente dela.

O papel dos mandatos locais na destinação de recursos

Essa representação também se reflete na busca por recursos e investimentos. Enquanto milhares de votos da RPT são destinados a grandes candidatos de outras regiões, Sumaré e Hortolândia puderam contar durante a atual legislatura com parlamentares locais para intermediar demandas junto ao Estado e direcionar emendas aos municípios.

O risco da pulverização em candidaturas de projeção municipal

O problema para 2026 está na pulverização dos votos. Além dos candidatos competitivos, eleições para deputado também atraem nomes que utilizam a disputa estadual para ampliar projeção política e construir futuras candidaturas municipais. A estratégia é legítima, mas pode produzir uma consequência regional: milhares de votos acabam distribuídos entre candidaturas que não conseguem conquistar uma cadeira.

Isso não significa que o eleitor deva votar obrigatoriamente em quem já possui mandato. Significa que, numa eleição proporcional, a viabilidade eleitoral também precisa fazer parte da análise. Cada candidato tem direito de disputar a eleição, mas o eleitor precisa avaliar quais projetos possuem chances concretas de transformar os votos recebidos em representação.

O desafio de Sumaré para manter cadeira histórica na Alesp

A situação é ainda mais significativa porque a RPT possui eleitorado suficiente para construir uma bancada muito maior. Apesar dos quase 730 mil eleitores, a região não conseguiu eleger um deputado federal diretamente ligado às seis cidades na atual legislatura.

Sumaré conseguiu preservar sua representação estadual com Dirceu Dalben. Hortolândia, com Ana Perugini. Ambas as cidades se beneficiaram com as representações diretas, e tem muito a perder caso não consigam manter a representação.

A eleição de outubro, portanto, vai além da disputa entre candidatos. Para Sumaré, também colocará em jogo a manutenção de uma cadeira que a cidade levou décadas para conquistar. Ter quase 200 mil eleitores dá força política ao município. Mas essa força somente chega à Assembleia Legislativa quando os votos conseguem se transformar em representação.

(Da Redação)

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