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Hospital de Sumaré fechou com Bacchim e Vensel; 15 anos depois, ex-secretário segue influente na política

Sumaré carrega há quase 15 anos uma dívida que atravessou diferentes governos e continua sem solução: recuperar um hospital municipal.

5 min de leitura
Antigo Hospital Conceição Imaculada em Sumaré
O antigo Hospital Conceição Imaculada encerrou suas atividades em 2011 em Sumaré.

Sumaré carrega há quase 15 anos uma dívida que atravessou diferentes governos e continua sem solução: recuperar um hospital municipal. O antigo Hospital Conceição Imaculada, primeira unidade hospitalar e maternidade da cidade, encerrou definitivamente suas atividades em 2011, durante a administração do então prefeito José Antonio Bacchim, quando Roberto Batista Vensel comandava a Secretaria Municipal de Saúde.

A história ganha novamente relevância em 2026 não apenas porque Sumaré continua sem um hospital municipal para substituir o Conceição Imaculada. Vensel permanece como um personagem importante da política local e hoje integra o grupo liderado por Willian Souza, ex-vereador, segundo colocado na eleição para prefeito em 2024 e atual candidato a deputado estadual pelo PT.

Vensel foi coordenador da campanha de Willian à Prefeitura em 2024 e atualmente preside o diretório municipal do PT. Em julho de 2025, foi reeleito para comandar o partido em Sumaré com 279 votos, 77,93% dos votos válidos entre as chapas que disputaram o processo interno. A própria movimentação partidária consolidou o grupo ligado a Willian dentro da legenda.

Roberto Batista Vensel, ex-secretário de Saúde de Sumaré

Roberto Batista Vensel comandava a Secretaria Municipal de Saúde na época

A presença do ex-secretário novamente no centro das articulações políticas contrasta com um capítulo que marcou profundamente a saúde pública de Sumaré. Foi justamente durante o período em que Vensel comandava a Saúde que a cidade perdeu definitivamente seu hospital.

Da intervenção de 1992 à sobrevida em 2003

A crise do Conceição Imaculada, é importante destacar, não começou com Bacchim ou Vensel. Os problemas eram muito anteriores. Em 1992, ainda durante a administração do ex-prefeito José Denadai, a situação já era grave a ponto de o Governo do Estado decretar intervenção na unidade. A medida foi sucessivamente prorrogada nos anos seguintes para tentar sanar os problemas administrativos e preservar o atendimento hospitalar à população.

Quando Dirceu Dalben assumiu a Prefeitura, em 1997, encontrou o hospital ainda sob intervenção estadual. A unidade permaneceu funcionando enquanto Prefeitura, Estado e Unicamp buscavam uma saída para a crise. Naquele período, Dalben também pressionava o Governo do Estado pela conclusão do Hospital Estadual de Sumaré, cuja construção era considerada fundamental para ampliar a oferta de leitos na região. Em 1999, por exemplo, Dalben cobrou publicamente agilidade do Estado para a conclusão da nova unidade. O Hospital Estadual seria inaugurado em setembro de 2000 e passou gradualmente a absorver serviços de maior complexidade.

No início de 2003, o Estado chegou a preparar o encerramento do Conceição Imaculada. Um decreto de janeiro daquele ano prorrogou a intervenção por apenas mais 30 dias e mencionava expressamente pendências para o fechamento final da unidade. O hospital chegou a interromper suas atividades, provocando inclusive sobrecarga no Hospital Estadual.

A administração Dalben, porém, trabalhou para evitar que o hospital desaparecesse naquele momento. Após o fim da intervenção estadual, um acordo entre Prefeitura e Governo do Estado permitiu a retomada da unidade. Registros da época mostram que, em abril de 2003, o Conceição Imaculada passou a funcionar por meio de convênio entre o município e a Secretaria de Estado da Saúde. O hospital, portanto, sobreviveu àquela crise.

O fechamento definitivo em 2011 na gestão Bacchim

Bacchim, que havia sido vice-prefeito de Dirceu Dalben, assumiu a Prefeitura em 2005. Roberto Vensel assumiu a Secretaria Municipal de Saúde. Naquele ano, os problemas da saúde municipal já provocavam forte preocupação política. Em maio de 2011, registros da Câmara mostram vereadores acompanhando dificuldades enfrentadas por funcionários e usuários diante da intenção da Secretaria de Saúde de fechar unidades. Em outubro, parlamentares voltavam a se reunir com Vensel diante do que a própria Câmara classificava como “problemática da saúde”.

Foi nesse ambiente que o Conceição Imaculada chegou ao fim. Depois de problemas administrativos, greves e paralisações, uma tempestade provocou danos à estrutura em 2011. A unidade não conseguiu mais retomar suas atividades e foi definitivamente fechada em outubro daquele ano. No ano seguinte, a Câmara já registrava requerimentos cobrando informações sobre o “antigo Prédio do Pronto Socorro Imaculada Conceição”.

Passivo na rede pública e influência política no presente

A consequência daquela decisão atravessou governos. Desde então, Sumaré nunca mais teve um hospital municipal. O Hospital Estadual de Sumaré permaneceu como referência hospitalar, mas pertence ao Governo do Estado e possui atendimento regional e referenciado, não substituindo integralmente o papel de uma unidade municipal de portas abertas. A rede local passou a depender fundamentalmente de UPAs, unidades básicas e da regulação para os atendimentos hospitalares.

Quase 15 anos depois, Sumaré continua sem recuperar aquilo que perdeu e Vensel continua ocupando posição relevante na política da cidade. Depois de coordenar a campanha que levou Willian Souza ao segundo turno da eleição municipal de 2024, tornou-se novamente presidente do PT municipal e permanece entre os nomes ligados ao grupo político do agora candidato a deputado estadual. Willian recebeu 51.668 votos no segundo turno de 2024 e, em 2026, disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo PT.

A história do Conceição Imaculada, portanto, não é apenas uma lembrança de um prédio abandonado ou de um serviço que deixou de existir. Ela também faz parte da trajetória administrativa de personagens que continuam pedindo a confiança política da população, diretamente nas urnas ou nos bastidores das campanhas.

Quinze anos depois, o hospital continua fechado, e parte dos personagens daquela administração continua no centro da política de Sumaré.

(Da Redação)

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