El Niño e calor extremo ameaçam sobrecarregar a rede de saúde das cidades
Em seminário na Unicamp, Ministério da Saúde cobra que prefeituras criem refúgios climáticos e preparem o SUS contra desidratação e doenças graves.

As ondas de calor extremo previstas para os próximos meses em decorrência dos efeitos do fenômeno climático “Super El Niño” podem desencadear impactos severos na saúde da população e provocar sobrecarga direta na rede de assistência médica dos municípios. O alerta oficial foi feito pela diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador do Ministério da Saúde, Agnes Soares, durante seminário realizado na Unicamp e organizado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP).
Seminário na Unicamp e alerta do Ministério da Saúde
Segundo a diretora, além dos riscos tradicionais de secas prolongadas e tempestades severas, a elevação das temperaturas médias provocará uma alta substancial na procura por atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Prontos-Socorros por desidratação aguda, complicações cardiovasculares e crises respiratórias.
O calor intenso também potencializa o risco de epidemias de dengue e outras arboviroses urbanas, além de agravar o quadro clínico de pacientes com doenças crônicas pré-existentes, sendo idosos e crianças as faixas etárias mais vulneráveis.
120 mil mortes no Brasil e aumento de infartos e dengue
Durante a exposição na Unicamp, Soares destacou dados de um estudo recente da Fiocruz revelando que ao menos 120 mil pessoas morreram no Brasil em um período de 20 anos em consequência direta ou indireta de temperaturas extremas.
“O Ministério da Saúde tem tratado essa pauta como máxima prioridade em razão do alto impacto na vida humana. Os gestores públicos municipais precisam estar atentos e se antecipar aos picos de calor, estruturando os fluxos de atendimento e capacitando os profissionais de saúde”, ressaltou a diretora.
Cemaden aponta 150 dias de calor extremo no país
Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apresentado no evento apontou que 2024 registrou recordes históricos de temperatura no país: mais de 6 milhões de brasileiros em 111 municípios enfrentaram ao menos 150 dias de calor extremo. Em períodos sob influência do El Niño, o país chega a registrar entre 8 e 14 ondas de calor por ano.
Soluções baratas para prefeituras: salas climatizadas e bebedouros
Para conter o colapso dos serviços de emergência, o Ministério da Saúde recomendou intervenções urbanas de baixo custo e rápida implantação pelas administrações municipais:
- Instalação e manutenção de bebedouros públicos de água potável em áreas de grande circulação;
- Ampliação de áreas sombreadas e incentivo ao uso de telhados verdes e materiais refletores;
- Criação de “refúgios climáticos” ou salas climatizadas públicas para acolhimento de pessoas vulneráveis e em situação de rua durante as horas mais quentes do dia.
“No inverno, as cidades não montam abrigos e estruturas para proteger do frio? Da mesma forma, durante os períodos de calor extremo, é perfeitamente viável disponibilizar salas climatizadas com hidratação”, defendeu Agnes Soares.
Pesquisa científica da Unicamp no enfrentamento do clima
O seminário reuniu representantes e secretários de aproximadamente 30 cidades brasileiras e contou com o apoio da Diretoria Executiva de Sustentabilidade da Unicamp. O reitor da universidade, Paulo César Montagner, colocou a produção científica da instituição a serviço dos municípios:
“A Unicamp possui sólida tradição de pesquisa no cruzamento entre clima e saúde pública. A ciência comprova a ligação direta entre temperaturas extremas e o agravamento de óbitos por doenças crônicas. Como universidade pública, estamos prontos para oferecer soluções científicas e apoiar os gestores públicos no enfrentamento desses desafios”, concluiu o reitor.
(Fonte: Unicamp)
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