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Câmara cobra Artesp por ônibus intermunicipais, mas transporte de Sumaré também pede socorro

Moção aprovada com 18 votos mira linhas metropolitanas; usuários cobram que vereadores e Prefeitura tenham o mesmo rigor com o transporte coletivo interno.

3 min de leitura
Ônibus do transporte coletivo urbano transitando em via pública de Sumaré
Transporte coletivo em Sumaré: passageiros cobram pontualidade e melhorias nas linhas metropolitanas e municipais (Foto: Arquivo / Portal SPASSO Cidades)

A Câmara Municipal de Sumaré aprovou nesta terça-feira (25) uma moção de repúdio à ARTESP (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) diante das sucessivas reclamações da população sobre a precariedade das linhas metropolitanas de ônibus intermunicipais. A cobrança é legítima, urgente e reflete o drama diário dos passageiros. Porém, o debate levanta uma reflexão inevitável: se o transporte metropolitano merece rigorosa prestação de contas, o transporte coletivo municipal de Sumaré também precisa ser colocado no centro das atenções com a mesma contundência.

Moção de repúdio com 18 votos na Câmara Municipal

A moção legislativa foi aprovada por unanimidade, com 18 votos favoráveis. O documento elenca problemas crônicos enfrentados pelos usuários: atrasos recorrentes, superlotação nos horários de pico, intervalos excessivos entre as viagens, redução injustificada da frota, veículos sem manutenção adequada e falhas graves de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Durante a sessão ordinária, diversos parlamentares relataram queixas diretas dos munícipes e criticaram a passividade e a falta de fiscalização da agência reguladora estadual na fiscalização das empresas permissionárias.

O impacto dos atrasos na rotina de trabalhadores e estudantes

As justificativas para a cobrança são evidentes. Trabalhadores, estudantes e famílias que dependem do transporte metropolitano convivem diariamente com um serviço que não supre a dinâmica socioeconômica da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Quando o ônibus atrasa ou quebra no trajeto, não se trata apenas de alguns minutos a mais no ponto. É o trabalhador que corre risco de advertência ou demissão no emprego, o jovem que perde o início da aula ou de provas escolares, o paciente que perde consultas e exames agendados no SUS e a rotina doméstica inteira desestruturada pela falha de um serviço público essencial.

A contradição entre cobrar a Artesp e ignorar as linhas municipais

Cobrar a ARTESP e exigir providências do Governo Estadual é dever indeclinável dos representantes do povo. O contrassenso se instala quando a indignação pública parece cessar nas fronteiras municipais.

O sistema de transporte coletivo urbano interno de Sumaré também é alvo frequente de descontentamento popular. Usuários enfrentam linhas com intervalos dilatados, itinerários demorados e uma malha que se mostra insuficiente para atender com agilidade a vasta extensão geográfica e a distribuição populacional dos bairros mais afastados da cidade.

Para o passageiro que espera na chuva ou sob o sol, pouco importa se a competência da concessão é estadual ou municipal: o que ele necessita é que o ônibus chegue no horário programado. Enquanto as linhas intermunicipais dependem da ARTESP, os problemas das linhas urbanas demandam ação direta, postura fiscalizadora e respostas transparentes do próprio Poder Executivo e do Legislativo sumareense.

Transporte público como direito essencial da população

A aprovação da moção contra a ARTESP é necessária e deve desdobrar em pedidos formais de auditoria e participação de órgãos metropolitanos. Contudo, essa fiscalização não pode ser seletiva. Se atrasos e ineficiência justificam o repúdio no âmbito regional, os mesmos entraves devem gerar cobrança firme dentro do município.

Transporte público de qualidade é garantia de mobilidade, acesso à saúde, educação e trabalho para milhares de pessoas que não possuem automóvel particular e não têm como arcar diariamente com transporte por aplicativo. Sumaré precisa auditar com rigor a frequência, os horários, o conforto da frota e, principalmente, ouvir quem depende dos ônibus urbanos todos os dias.

Cobrar de fora é indispensável. Mas fiscalizar e resolver os problemas dentro de casa é obrigação básica da gestão pública.

(Da Redação)

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