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Setembro Amarelo: especialistas alertam para saúde mental de idosos e pessoas com doenças crônicas

Perda de autonomia, dor crônica e sobrecarga de cuidadores exigem acolhimento e escuta atenta. Especialista da Palliative Care orienta como identificar sinais de sofrimento emocional.

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Setembro Amarelo: especialistas alertam para saúde mental de idosos e pessoas com doenças crônicas

A atenção à saúde mental e a prevenção do sofrimento extremo entre idosos, pacientes com doenças crônicas e pessoas que dependem de cuidados contínuos exigem vigilância constante ao longo de todo o ano. No entanto, o Setembro Amarelo abre uma janela fundamental para ampliar esse diálogo na sociedade e romper preconceitos em torno da vulnerabilidade emocional na terceira idade.

Para a equipe médica da Palliative Care, empresa de atenção domiciliar que atua em Campinas, na Região Metropolitana e na capital paulista, a campanha é uma oportunidade indispensável para conscientizar familiares e cuidadores sobre sentimentos de dor, solidão e perda de autonomia que muitas vezes passam despercebidos dentro de casa.

De acordo com a médica psiquiatra Jéssica Müller, que integra a equipe da entidade, o sofrimento que pode culminar em pensamentos de morte geralmente resulta da combinação de dois fatores centrais: “No fundo, o sofrimento se resume a dois sentimentos que caminham juntos: a pessoa sentir que virou um peso para quem cuida dela, e a sensação de que não pertence mais a lugar nenhum, tendo perdido seu espaço na família ou na vida social”.

Sinais de alerta que não devem ser naturalizados

No convívio diário, familiares costumam atribuir o desânimo à velhice ou aos sintomas físicos da própria enfermidade. Contudo, mudanças persistentes de comportamento exigem investigação profissional:

  • Apatia e isolamento: recusa repentina em participar de refeições em família, desinteresse por conversas e abandono de cuidados pessoais básicos.
  • Alterações de sono e apetite: noites de insônia frequente, perda repentina de peso ou prostração incomum.
  • Frases de desvalia: comentários recorrentes como “eu só dou trabalho”, “vocês estariam melhor sem mim” ou manifestações de cansaço extremo da vida.
  • Recusa de tratamento: interrupção proposital de medicações de uso contínuo ou consultas médicas.

“Não é preciso esperar uma fala explícita de desespero para se preocupar e buscar orientação: observar as transformações no comportamento como um todo já é, por si só, uma forma ativa de cuidado e prevenção”, enfatiza a Dra. Jéssica Müller.

Como acolher e dialogar sem julgamentos

Diante de qualquer menção a sentimentos de desesperança, especialistas recomendam que familiares mantenham a calma, escutem com empatia e perguntem com franqueza se o paciente tem pensado na própria morte.

“Pode parecer contraintuitivo, mas a ciência comprova reiteradamente que perguntar de forma clara e respeitosa não induz o ato nem coloca a ideia na cabeça de ninguém. Pelo contrário: falar sobre o sofrimento costuma trazer um grande alívio emocional e abre espaço seguro para que a pessoa aceite ajuda”, orienta a médica.

A orientação essencial é não minimizar a dor dizendo frases prontas como “você tem tudo”, evitar discursos de repreensão moral e jamais prometer manter em sigilo relatos que envolvam risco à vida.

Quem cuida também precisa de cuidado e descanso

A rotina exaustiva da assistência domiciliar prolongada impacta diretamente o cuidador familiar, que frequentemente acumula a função com trabalho, tarefas da casa e privação de sono. O esgotamento emocional do cuidador (conhecido como síndrome de burnout) pode gerar quadros de depressão e ansiedade.

“Cuidar de quem amamos é uma das tarefas mais exigentes que existem. Reconhecer os próprios limites e pedir ajuda à família ou a profissionais não é fraqueza, mas sim responsabilidade para garantir a continuidade do cuidado com qualidade”, ressalta a psiquiatra.

Onde buscar apoio e canais de emergência

O apoio psicológico e psiquiátrico está disponível gratuitamente na rede pública e por canais especializados de atendimento contínuo:

  • CVV (Centro de Valorização da Vida): atendimento gratuito pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia, com sigilo total, além de suporte via chat e e-mail pelo portal cvv.org.br.
  • SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência): acione o telefone 192 em situações de crise aguda ou emergência médica imediata.
  • Rede Pública de Saúde: procure os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da sua cidade para encaminhamento e acompanhamento profissional.

(Fonte: Palliative Care / AMZ Comunicação)

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