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Problema na água persiste em Hortolândia e Americana e moradores seguem pagando por serviço contestado

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Problema na água persiste em Hortolândia e Americana e moradores seguem pagando por serviço contestado

As sucessivas reclamações sobre a qualidade da água em cidades da região, especialmente em Hortolândia e Americana, deixaram de ser episódios pontuais e passaram a configurar um problema contínuo que expõe a dificuldade da Sabesp em apresentar uma solução efetiva.

Mesmo após a adoção de medidas emergenciais, como força-tarefa e uso de carvão ativado no tratamento, moradores seguem relatando odor forte, gosto desagradável e até coloração anormal na água distribuída.

Os registros se acumulam há dias, com relatos vindos de diferentes bairros e com um padrão semelhante: água com cheiro de mofo, imprópria para atividades básicas como higiene pessoal e lavagem de roupas. Em alguns casos, moradores afirmam ter identificado o problema diretamente na rede de abastecimento, descartando falhas internas como caixas d’água contaminadas.

A resposta da Sabesp, por sua vez, tem se mantido na mesma linha. A empresa afirma que a água segue dentro dos padrões de potabilidade e atribui o problema ao baixo fluxo do Rio Jaguari, que teria elevado a concentração de compostos naturais no manancial. Ainda assim, reconhece alterações de gosto e odor, o que, na prática, contrasta com a experiência relatada por consumidores.

Mesmo com a mobilização de equipes técnicas, visitas monitoradas à estação de tratamento e monitoramento em tempo real, a normalização do serviço não se concretizou. A persistência das queixas indica que as medidas adotadas até agora não foram suficientes para restabelecer a confiança da população no abastecimento.

Diante desse cenário, a Prefeitura de Hortolândia notificou a concessionária e passou a exigir explicações técnicas mais detalhadas, além de medidas corretivas e compensação financeira para os moradores que tiveram de arcar com a compra de água. A administração municipal também determinou análises laboratoriais independentes e não descarta medidas administrativas ou judiciais.

O episódio reacende um debate mais amplo sobre a prestação de serviços após a mudança no modelo de gestão da companhia. Entre moradores, cresce a percepção de que, além da instabilidade na qualidade, os custos do serviço seguem elevados, ampliando a insatisfação. A equação, na prática, se torna difícil de justificar: água com odor e aparência questionável, acompanhada de tarifas que não refletem a falha no fornecimento.

Enquanto a empresa sustenta que não há contaminação e que o sistema opera dentro da normalidade, o cotidiano da população aponta para uma realidade diferente. Em meio a esse desencontro, quem absorve o impacto direto é o consumidor, que paga por um serviço essencial e, ao mesmo tempo, precisa buscar alternativas para suprir uma necessidade básica.

A crise no abastecimento, ainda sem solução definitiva, coloca em xeque não apenas a capacidade de resposta da concessionária, mas também o modelo de prestação do serviço, que passa a ser testado justamente quando a população mais depende de eficiência e confiabilidade.

Fonte: Da redação.

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