Por que a vida passa tão rápido?
Elaine Amaral reflete sobre a pressa dos dias, a sensação de que o tempo voa e a importância de viver o presente antes que a vida passe despercebida.
Elaine Amaral2 min de leituraQuando era criança, a sexta-feira demorava uns três meses para chegar; a segunda-feira começava e parecia que a semana nunca mais iria acabar.
O Natal chegava todos os anos, mas a sexta-feira nunca tinha a certeza de que chegaria.
Hoje é o contrário: piscamos e já é sexta-feira; piscamos novamente e acabou o mês; piscamos e já estão perguntando onde iremos passar o Natal.
Esta situação começou a me assustar, porque passamos a vida esperando alguma coisa chegar: quando chegar a sexta, quando chegarem as férias, quando eu comprar aquilo, quando conseguir isso, quando este problema acabar… E, quando finalmente chega, passa tão rápido que nem percebemos o que vivemos.
Mas talvez o problema não seja que o tempo esteja passando rápido; talvez seja que a nossa cabeça nunca esteja onde o nosso corpo está.
No almoço, pensamos na reunião que teremos; na reunião, estamos pensando em quando chegar em casa; em casa, ficamos respondendo mensagens; e na viagem, pensamos no que iremos fazer quando voltarmos.
Estamos em todos os lugares, menos vivendo o que está acontecendo naquele momento.
E um dia perceberemos uma coisa assustadora: passamos anos esperando o próximo momento e não percebemos que aquilo que chamamos de “enquanto isso” era a nossa própria vida.
Nossos filhos estão crescendo, nossos pais envelhecendo, nós também.
Devemos, sim, fazer planos, sonhar, esperar por coisas boas, mas não esperar o amanhã para começar a viver.
Porque talvez a maior tragédia não seja a vida passar rápido, mas vê-la passar sem perceber que estamos vivendo.
(Elaine Amaral / Especial para o SPASSO Cidades)
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