Politicando: perseguição, volta de Samartin e a disputa pelo legado de Perugini
Bastidores da política regional: ataques à imprensa, reaparecimento de lideranças em Nova Odessa, desilusão em Monte Mor e a divisão pelo espólio de Perugini em Hortolândia.
Perseguição
Nas últimas eleições, por denunciar ligações escusas de um certo candidato e seu grupo político, o Jornal SPASSO Cidades teve suas edições recolhidas ilegalmente. Munidos de um mandado falso, expedido por uma juíza que não existe, com o apoio de não apenas uma, mas duas forças policiais, fizeram uma apreensão fora da lei, como se não mais vivêssemos numa democracia. Membros de nossa equipe foram ameaçados com arma de fogo pelo próprio coordenador de campanha do então candidato. Agora o dito candidato aparece em campanha, sorrindo, e pedindo o seu voto para ajudar a proteger a democracia. Não apenas isso, o dito cujo ainda se alia a forças regionais que têm o intuito de dominar a política local e têm seus tentáculos em diversas cidades próximas. A realidade é que sempre lutamos pela democracia, pela verdade e pela lisura dos fatos. Essa postura irá sempre incomodar, pois os que vivem nas sombras sabem que a luz da verdade sempre revela os fatos.
Censura
Nem sempre é a imprensa que é perseguida e calada. Em Nova Odessa, material de campanha vandalizado evidencia como a democracia anda fragilizada em nossa região. É inaceitável que em pleno 2026 atitudes como essa sejam normalizadas. Ame ou odeie o resultado, as urnas apenas expressam a vontade do povo. Não é vandalizando propaganda eleitoral, recolhendo jornais ou fazendo ameaças que os derrotados irão mudar a vontade do povo. Voto se conquista com um projeto sólido, com honestidade, com trabalho duro e com consistência. Não adianta se aliar com a corja maldita, não adianta se eleger prometendo proteger o pobre mas servindo ao rico, não adianta tratar o dinheiro público como sua reserva pessoal e no dia da eleição se espantar com o resultado. A culpa não é do seu adversário, a culpa não é da imprensa, a culpa é da sua ganância, da sua soberba, de sua prepotência e arrogância, da falta de caráter, carisma medíocre e falsa moral. Você pode enganar o eleitor por um mandato, mas uma hora ou outra a verdade sempre vem à tona.
O retorno
Manoel Samartin foi prefeito de Nova Odessa em diversas ocasiões, e o maior representante vivo da antiga política que comandou a cidade por quase quatro décadas. Para alguns, sua saída representou progresso, mas para muitos novaodessenses representou a perda da identidade local. Nos últimos anos, esteve afastado do cenário político, mas nessas eleições reapareceu diante do público. Se o político volta aos holofotes por vontade própria, ou se foi tirado de sua aposentadoria por políticos sedentos por votos, é difícil apontar. O que é realmente curioso é que mesmo depois de tanto tempo fora dos palanques, justo agora Samartin resolve voltar. A realidade é que para muitos, seu reaparecimento representa uma fagulha de esperança numa cidade que se vê sem grandes representantes. Apenas o passado pode consolar.
O motivo
Se o povo a cada foto do Samartin se enche de esperança em Nova Odessa, é porque as lideranças da cidade deixam a desejar. Desde janeiro, quando assumiu seu segundo mandato, Leitinho já passou o bastão para seu vice-prefeito, o Mineirinho. Diferentemente do mandatário, Mineirinho carece de carisma e parece não cultivar o mesmo carinho e admiração de Leitinho. Ao anunciar seu vice e parecer cada vez mais alheio à administração, Leitinho desaponta seus apoiadores e deixa aqueles que votaram nele cada vez mais desamparados. Mesmo diante desse quase desmantelamento do governo, oposição e dissidentes patinam e falham ao tentar despontar como novas lideranças aptas para representar a cidade. No vácuo político deixado na cidade, apenas alguns vereadores menos expressivos e um ex-prefeito rechaçado tentando emplacar a sua esposa aparecem como alternativa para o prefeito que desistiu de governar. A realidade é que a população se sente desamparada e ainda aguarda por uma liderança de verdade.
Situação similar
Apesar de seu prefeito não ter desistido de governar, Monte Mor passa por uma situação similar. No último pleito, a cidade teve de escolher entre um ex-prefeito, reeleger o atual prefeito ou eleger pela primeira vez um novo prefeito. Na dúvida, optou pelo novo. Acontece que mesmo votando na novidade, a cidade se deparou com mais do mesmo. Inapto a resolver os problemas antigos da cidade, o atual prefeito parece incapaz de resolver também os novos problemas. Nessa sinuca de bico, o eleitor viu que votar na novidade não trouxe a renovação que ele queria, e mais uma vez se verá tendo que escolher entre o menos pior do passado. Certamente em 2028 terá de escolher entre três ex-prefeitos dessa vez, e provavelmente entre um ou outro vereador (que já dá para saber quem é) que tentarão despontar como alternativa para o atual problema. Pois é, não está fácil a situação por lá também…
O Legado
Nessas eleições, o legado do saudoso Angelo Perugini irá servir dois grupos. Primeiramente, sua ex-esposa, que esteve ao seu lado por um tempo em sua trajetória política, e de outros antigos aliados políticos. Para esse pleito, o legado dividido funciona, mas fica claro que para 2028 ambos os lados, e novos grupos que estão se formando na cidade, têm interesse na herança política do ex-prefeito. Cada qual tem sua razão, e ambos participaram ativamente ao lado de Angelo, mas como ele não está mais entre nós para decidir, uma grande disputa se arma a respeito de quem será seu próximo porta-voz. Família versus amigos, quem conta mais nesta matemática? Hortolândia desempenhará o mais agitado e imprevisível cenário em 2028, e o resultado deste outubro já dará sinais do que podemos esperar daqui a dois anos. Finalmente, em 2028, saberemos o resultado final de quem vencerá este litígio.
(Coluna da Redação / SPASSO Cidades)
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