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Paulínia é cobrada por exclusão de mulher autista aprovada em concurso público

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Paulínia é cobrada por exclusão de mulher autista aprovada em concurso público

A Prefeitura de Paulínia enfrenta críticas após impedir posse de Cíntia Patrícia Reis, mulher autista aprovada como professora por reserva de vagas PCD, mesmo com laudos médicos favoráveis.

A gestão municipal de Paulínia, na Região Metropolitana de Campinas, está sob pressão após a denúncia de exclusão de uma mulher autista aprovada em concurso público. Cíntia Patrícia Reis foi aprovada para o cargo de professora de educação especializada por meio da reserva de vagas para pessoas com deficiência (PCD). [caption id="attachment_13566" align="alignnone" width="359"] Cíntia Patrícia Reis[/caption] Cíntia passou por avaliação médica realizada por uma equipe multidisciplinar composta por cinco especialistas com formação específica em autismo, incluindo o diagnóstico de autismo feminino, uma condição frequentemente invisibilizada por profissionais sem capacitação adequada. Todos os laudos atestaram sua aptidão para o cargo. No entanto, no momento da convocação para a posse, a candidata foi submetida a uma nova avaliação por um médico contratado diretamente pela prefeitura. Em apenas 30 minutos, esse profissional desconsiderou os laudos anteriores e concluiu que Cíntia não se enquadrava como pessoa com deficiência, resultando na exclusão da lista de PCDs e na suspensão da posse, mesmo com seu nome publicado no Diário Oficial desde 10 de abril.
A jornalista e ativista pelos direitos das pessoas autistas, Fátima de Kwant, uma das principais vozes nacionais na defesa da comunidade autista, fez um apelo ao prefeito de Paulínia, Danilo Barros, para que o caso seja reavaliado com responsabilidade e sensibilidade. Ela destacou que outro candidato autista, do sexo masculino, teve seu ingresso validado pela mesma via, o que levanta suspeitas de desigualdade no tratamento dado às mulheres autistas.
"A candidatura da Cíntia está respaldada por cinco laudos legítimos, emitidos por profissionais com formação adequada. O fato dela ser mulher e autista não compromete sua capacidade de exercer a função para a qual foi aprovada. O que se espera da administração pública é acolhimento, não exclusão". Fátima de Kwant, jornalista e ativista
O caso evidencia a necessidade urgente de maior preparo técnico nas comissões de avaliação funcional e da inclusão de profissionais especializados em neurodiversidade nos processos seletivos públicos. Além disso, reforça a importância de políticas públicas que respeitem e garantam os direitos das pessoas com deficiência, eliminando barreiras institucionais e discriminações veladas.
Até o momento, a Prefeitura de Paulínia não se manifestou oficialmente sobre a situação. Caso a exclusão de Cíntia seja mantida, poderá configurar violação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) e acarretar ações judiciais. A comunidade autista, incluindo moradores de Paulínia e cidades vizinhas como Sumaré, Nova Odessa e Hortolândia, acompanha atentamente o caso, reivindicando que prevaleçam a legalidade, a justiça e o respeito à diversidade na condução do processo.
Fonte: Da redação
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