Uma mudança legal com impacto afetivo e sanitário
A nova legislação permite que os animais de estimação sejam sepultados junto aos seus responsáveis, desde que sejam respeitadas as normas sanitárias e ambientais. A medida reconhece o papel afetivo dos pets na estrutura familiar e acompanha uma transformação social já consolidada.
Hoje, cães e gatos deixaram de ser vistos apenas como animais de companhia e passaram a ocupar um lugar de vínculo emocional intenso, muitas vezes comparável ao de um membro da família.
Luto, escuta e acolhimento na prática veterinária
Para o médico-veterinário Francis Flosi, diretor geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, a lei apenas formaliza uma realidade vivida diariamente nos consultórios. Ele afirma que, na maioria das vezes, o profissional acompanha o responsável pelo animal nos últimos momentos de vida do pet.
“O médico-veterinário, na maioria das vezes, é o profissional que acompanha o responsável pelo animal nos últimos momentos de vida do pet. E, nesse instante, o que a pessoa vive é luto — um luto real, legítimo e profundo.”
Segundo Flosi, o preparo técnico segue indispensável, mas já não basta sozinho. A escuta sensível, a comunicação empática e o acolhimento emocional passaram a fazer parte da rotina profissional.
“Dizer ao responsável pelo animal ‘o que você está sentindo é luto’ ajuda a validar uma dor que, por muito tempo, foi invisibilizada. O amor não termina com a morte. Ele muda de forma, vira memória — e memória, antes de aquecer, dói.”
Mais responsabilidade para orientar o pós-óbito
Com a nova lei, cresce também a responsabilidade do médico-veterinário em orientar corretamente sobre os procedimentos pós-óbito, respeitando critérios legais, ambientais e sanitários, além de agir com ética e humanidade.
Atenta a essa transformação, a Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas oferece o curso Luto pela Perda dos Pets, voltado a médicos-veterinários, estudantes e profissionais da área. A formação aborda reconhecimento do luto pet, cuidados paliativos, comunicação no fim da vida, ética profissional e estratégias de apoio emocional.
Para Francis Flosi, iniciativas desse tipo se tornam cada vez mais necessárias diante das mudanças legais e da evolução da relação entre pessoas e animais.
“A Medicina Veterinária moderna exige profissionais preparados para cuidar da vida, mas também para lidar com a morte de forma digna, respeitosa e consciente. Isso faz parte do cuidado integral.”
“Os planos de Deus sempre têm um bom propósito, ainda que, para o seu cumprimento, o processo seja difícil.”
Fonte: Daniela Nucci.




