Indústria cria 265 mil empregos e mostra força mesmo com Custo Brasil, avalia Ciesp
Presidente do Ciesp, Rafael Cervone, analisa dados do IBGE que mostram avanço de 2% na ocupação fabril e defende política de Estado para competitividade.

A indústria brasileira voltou a apresentar uma demonstração expressiva de sua capacidade de gerar emprego formal e renda. De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, referentes ao trimestre móvel encerrado em agosto, o setor industrial foi o que mais contribuiu para a expansão da ocupação no país ao lado da construção civil, somando 265 mil trabalhadores adicionais no período — uma alta de 2%.
Para o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rafael Cervone, os números confirmam o peso estratégico do setor fabril no recorde de ocupação e nas mínimas históricas de desemprego registradas nacionalmente.
Obstáculos estruturais e o ‘Custo Brasil’
Na avaliação do dirigente empresarial, o avanço do emprego fabril é especialmente expressivo quando analisado o ambiente macroeconômico em que ocorreu. O setor ainda enfrenta desafios severos de competitividade que limitam uma expansão ainda maior dos investimentos.
“Nossa atividade está mostrando sua força mesmo diante de juros exorbitantes, crédito caro e restrito, custos trabalhistas elevados, toda a estrutura de encargos e ineficiências que conhecemos como ‘Custo Brasil’ e do fato de que ainda é o ramo que mais paga impostos, considerando que a reforma tributária sobre o consumo ainda não tem efeitos práticos”, pontua Cervone.
Qualificação do mercado e empregos formais
De acordo com o Ciesp, os números divulgados pelo IBGE ajudam a qualificar o debate sobre o mercado de trabalho brasileiro. A liderança industrial ressalta que o objetivo econômico não deve se restringir apenas à redução percentual da taxa de desemprego, mas sim à ampliação de vagas formais, com maior proteção previdenciária e poder aquisitivo para o trabalhador.
“É preciso olhar para esses dados como um sinal do potencial que temos pela frente. A indústria tem uma capacidade muito grande de criar empregos de qualidade e movimentar cadeias inteiras de fornecedores, serviços, logística e comércio. Mas, para isso, precisa de políticas públicas que reconheçam sua importância e criem condições efetivas de competitividade”, observa o presidente do Ciesp.
Agenda permanente de estímulo à atividade produtiva
Cervone defende que os resultados do trimestre móvel reforçam a urgência de uma agenda contínua e institucional de incentivo à indústria nacional, pensada como um projeto de Estado e não como iniciativas temporárias de governo.
“Quando a indústria cresce, o benefício ultrapassa os muros das fábricas. Espalha-se pela economia e chega ao trabalhador, às famílias e a diversificadas cadeias de valor. O desafio agora é transformar essa capacidade de geração de empregos em um ciclo mais duradouro de investimentos, produtividade e crescimento”, conclui.
Serviço
Entidade: Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)
Porta-voz: Rafael Cervone, presidente do Ciesp e 1º vice-presidente da Fiesp
Tema: Análise da Pnad Contínua do IBGE e mercado de trabalho industrial
(Fonte: Ciesp / Assessoria de Imprensa Roncon & Graça Comunicações)
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