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El Niño e seca no Sudeste: restauração da Mata Atlântica ajuda a proteger a água

Órgãos federais emitem alerta de estiagem severa até 2027; Copaíba destaca recuperação de matas ciliares como esponja natural para recarga de aquíferos.

4 min de leitura
Área de preservação permanente com mudas nativas em crescimento na margem de um rio da Mata Atlântica
Restauração de matas ciliares ao longo de rios e nascentes funciona como esponja natural para garantir água durante secas severas (Foto: Divulgação / Associação Copaíba)

Com a confirmação oficial de que o fenômeno climático El Niño está plenamente estabelecido no Oceano Pacífico Equatorial — com probabilidade superior a 90% de estender seus efeitos até o início de 2027 —, os principais órgãos federais de monitoramento climático emitiram um alerta rigoroso para o país. A Região Sudeste e o bioma da Mata Atlântica exigem atenção estratégica imediata, pois a combinação de estiagem severa e recordes de calor ameaça o abastecimento hídrico de milhões de habitantes e a biodiversidade regional.

Alerta federal e previsão de estiagem severa até 2027

O diagnóstico climático conjunto foi elaborado por um consórcio técnico formado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Serviço Geológico do Brasil (SGB) e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC).

Diante desse cenário desafiador, a Associação Ambientalista Copaíba reforça a urgência da restauração ecológica como a mais eficiente barreira de defesa das bacias hidrográficas.

Diferenças climáticas no Brasil: seca prolongada no Sudeste

Os estudos meteorológicos apontam que o atual evento apresenta intensidade de moderada a forte, com anomalias térmicas marítimas de até 2°C acima da média histórica. O prognóstico para o trimestre aponta um país dividido: enquanto a Região Sul enfrenta volumes excessivos de chuvas, o Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste encaram um longo ciclo de seca e calor anômalo.

A Mata Atlântica — bioma que concentra mais de 70% da população brasileira e abriga os principais mananciais do Sudeste — sofre impacto direto: a falta de chuvas deprime o lençol freático e seca nascentes desprotegidas, enquanto a vegetação ressecada amplia drasticamente o risco de incêndios florestais descontrolados.

Restauração ecológica como ‘esponja natural’ para os rios

Para enfrentar os impactos extremos do clima, as soluções mais sustentáveis e de menor custo operacional baseiam-se nas Soluções Baseadas na Natureza (SBN). Nesse contexto, o reflorestamento com espécies nativas consolida-se como a principal ferramenta de adaptação climática.

A vegetação nativa preservada nas margens de rios e topos de morros atua fisicamente como uma “esponja natural”: amortece o impacto das chuvas, reduz a erosão do solo e retém a água da chuva no subsolo, alimentando os aquíferos subterrâneos e garantindo vazão constante aos córregos mesmo durante as estiagens mais severas.

27 anos de história e proteção de quase 500 nascentes

Com sede na região leste paulista e atuação nas bacias dos rios do Peixe e Camanducaia, a Associação Ambientalista Copaíba se tornou referência nacional em restauração florestal. Ao longo de 27 anos de história, a instituição soma números expressivos:

  • Mais de 4,5 milhões de mudas nativas de alta diversidade produzidas em viveiro próprio;
  • Mais de 1,2 milhão de árvores nativas plantadas em campo;
  • 903 hectares de floresta em processo contínuo de restauração;
  • Proteção direta de quase 500 nascentes ao longo de 63 km lineares de rios e córregos.

“Nossa atuação no plantio de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e matas ciliares garante a recarga hídrica profunda do solo. Seguiremos buscando novos proprietários rurais e parceiros institucionais para expandir o reflorestamento e proteger a água da nossa região”, destaca Ana Paula Balderi, coordenadora de restauração da Copaíba.

Ações de emergência e planos de contingência do poder público

Além do reflorestamento a médio e longo prazo, a Defesa Civil Nacional orienta os governos municipais a implementarem planos de contingência urbana imediatos: criação de refúgios climáticos e salas públicas climatizadas para a população vulnerável, instalação de bebedouros em praças e avenidas de grande circulação, adaptação de jornadas para trabalhadores externos e cadastramento massivo dos moradores nos canais oficiais de alerta por SMS da Defesa Civil.

(Fonte: Associação Ambientalista Copaíba)

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